O alerta público levantado pelo Secretário Estadual de Infraestrutura e Logístia Beto Albuquerque sobre os riscos aos ciclistas que utilizarem a futura ciclovia da Av. Ipiranga – em razão da rede elétrica de alta tensão e do gasoduto subterrâneo – levanta um debate central para o futuro da capital, e que vai muito além da questão de obrigar o município a assumir a responsabilidade pelos riscos aos ciclistas. Trata-se da concepção de ciclovia que Porto Alegre pretende implementar.
A perda de qualidade de vida na capital nos últimos anos é notória: além da poluição, a quantidade de horas perdidas dentro dos automóveis em razão dos congestionamentos tem aumentado o estresse da população e diminuído o tempo de convívio com nossas famílias. O automóvel é uma espécie de “caixa” que isola o motorista do contato real com a cidade e com as outras pessoas.
Podemos inverter esta lógica. Na Holanda, 30% das pessoas se locomovem de bici. Sorocaba “ciclou” a cidade inteira. Em Sapiranga, os congestionamentos são das bicicletas. Alguém tem uma forma melhor de tirar uma população do sedentarismo? Será que não é por aí – o investimento em prevenção – que reduziremos as filas dos hospitais e aumentaremos a qualidade de vida da população?
Desde o atropelamento coletivo na Cidade Baixa, notícia que circulou os quatro cantos do planeta, incrivelmente a quantidade de ciclistas se locomovendo pelas ruas de Porto Alegre aumentou. E nem isso foi capaz de sensibilizar os gestores municipais.
A política implementada pela atual gestão municipal é o típico caso do gestor mais preocupado em “jogar para a torcida”, o que revela a cultura do “carrocentrismo” dos habitantes do Paço Municipal. Com efeito, a ciclovia da Ipiranga está sendo construída sobre o canteiro, pois ali não vai “atrapalhar o trânsito”. A próxima ciclovia nos planos dos gestores municipais e a da Av. Sertório, provavelmente por ser larga suficiente para, de novo, não atrapalhar o transito… O Plano Diretor Cicloviário Integrado – Lei Complementar Municipal 626/2009 – que prevê a destinação de 20% das multas de trânsito para construção de ciclovias nunca foi cumprido. Enquanto isso, o Prefeito vibra com os estacionamentos subterrâneos que serão construídos e acredita que duplicar algumas ruas vai resolver os problemas – às custas, por exemplo, de cortar o Parque Marinha do Brasil ao meio. Definitivamente, estamos na contramão da história e das soluções inteligentes para as grandes cidades.
(*) Ciclista urbano e Diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – Lappus. Mestre em Análise de Políticas Públicas – Universidade de Turim
Foto: Ricardo Giusti/PMPA


on Nov 3rd, 2011 at 11:27 am
Marcelo, entendo tuas preocupações mas esta batalha já perdestes. Se as pessoas trabalhassem perto dos locais de trabalho, nem precisariamos de carros e nem de bicicletas. Como moram longe tem que se deslocar para trabalhar. E mais diminuindo o número de carros, diminuiríamos os empregos que esta cadeia de produção proporciona.
on Nov 3rd, 2011 at 12:33 pm
Se o poder público melhorasse o sistema de transporte público e se investisse, também, em construir ciclovias, talvez a batalha não estivesse perdida… Mas com a cabecinha miúda que temos nos governando… fica difícil ter esperança!
Porto Alegre anda pra trás… é impressionante, isso!
on Nov 3rd, 2011 at 12:49 pm
Marcelo, disse tudo, só para complementar a da Sertório será sobre o o lugar que deveria ter uma calçada.
Remindo, a questão está longe de estar perdida, o aumento do uso da bicicleta é real e inevitável. A maioria da população não usa carro, e quem mora mais longe do trabalho usa muito mais o transporte coletivo do que carro. Muita gente mesmo longe vai de bicicleta, é comum trajetos superiores a 10km. E é só uma questão de tempo para as pessoas se acostumarem a isto. Quanto a empregos, isto é mito, a industria automotiva gera pouquíssimos empregos pelos benefícios que recebe do poder público, além dos prejuízos que gera a saúde pública.
on Nov 3rd, 2011 at 1:08 pm
Ciclovias devem ser construídas em locais compatíveis com este modal. Por exemplo: partindo da Usina do Gasômetro e indo pela orla até onde fosse possível (Lami?). Colocar bicicletas onde reina Sua Majestade, o Automóvel, é colocar em risco a integridade do ciclista, pois é frequente os carros mergulharem no Arroio Dilúvio. Não demora muito vão alegar que as obras na Ipiranga estão atrapalhando o trânsito e que seria mais produtivo uma 4° pista na avenida. Neste cenário, ser eletrocutado ou ir pelos ares devido às tubulações de gás são riscos menores.
on Nov 3rd, 2011 at 1:11 pm
Uma classe em situação de risco, ainda maior do que a dos ciclistas, é a dos pedestres.
Atravessar ruas e avenidas de Porto Alegre tornou-se uma temeridade.
Junta-s a isso o transporte coletivo com tabelas que não atendem aos horários, os ônibus superlotados e tem-se o caos em que esta cidade se transformou.
Hoje, transitando pela Ipiranga verifiquei, além das torres de alta tensão e do gasoduto, a imensa quantidade de árvores frondosas que terão de ser ceifadas para a construção da ciclovia. Mais outra coisa que não foi considerada neste projeto.
Concordo com o Marcelo, esta Prefeitura gosta de “jogar para a torcida” e estar na midia, sempre com um projetinho novo, mesmo que seja um daqueles feitos, como se diz popularmente, “nas coxas”.
Tudo pensando em 2012…
on Nov 3rd, 2011 at 1:51 pm
Concordo plenamente com o texto. O município de Porto Alegre ainda não apresentou um Plano de Mobilidade Urbana que consiga desfogar a utilização dos automóveis.
É preciso valorizar a utilização de veículos de propulsão humana (bicicletas) para melhorar o trânsito e a qualidade de vida de quem mora em Porto Alegre.
Essa ciclovia da Ipiranga é um verdadeiro desastre, lembrando que está financiando ela é o Zaffari e o Shopping Pria de Bellas, sem um tostão da Prefeitura.
on Nov 3rd, 2011 at 3:45 pm
Acho esse movimento dos ciclistas bastante elitistas. A maior parte do pessoal que participa do Massa Crítica, por exemplo, é de estudantes, profissionais liberais, enfim, a classe média alta da nossa cidade. Pra quem mora em regiões centrais, perto do trabalho ou da faculdade, as ciclovias resolvem o problema do transporte. Porém, a maioria das pessoas mora muito longe do trabalho, e é complicado sair de bicicleta da Restinga, e chegar no trabalho no centro sem estar suando ou com a roupa amarrotada – mesmo que houvesse um sistema perfeito de ciclovias na cidade. Engraçado que esse mesmo pessoal vive por aí protestando também contra os chamados “espigões”. Ora, ou a cidade cresce verticalmente ou horizontalmente. Se não deixarmos ela crescer verticalmente, os pobres serão empurrados para regiões cada vez mais afastadas, e nem o melhor sistema de trasporte do mundo irá resolver sua situação. Comparam o Brasil com a Holanda. Mas eu pergunto: na Holanda tem quem more a 30 km do local do trabalho?
Enfim, é muito fácil ser estudante universitário, não ter hora pra chegar na aula, e ir todo o dia de bike para a “facul” morando no Moinhos, Menino Deus, Cidade Baixa, Petrópolis, etc… quero ver é chegar todo o dia no trabalho e enfrentar um chefe furioso pq vc está com a roupa amarrotada e suando depois de vi pedalando da Restinga.
E é óbvio que essa crítica feita pelo secretário Beto Albuquerque é com vistas às eleições do próximo ano. Vários engenheiros especializados já garantiram não haver risco algum embaixo daquela rede elétrica. E ali os ciclistas estão muito mais protegidos do que se estivessem entre os carros. O tamanho das nossas vias não permite que os carros fiquem à distância recomendada pelo Código de Trânsito. Em alguns trechos da Protásio Alves, por exemplo, se passar uma bike e se o motorista respeitar a distância recomendada, só será possível utilizar uma faixa da via.
on Nov 3rd, 2011 at 4:05 pm
hmmm…não aumentaria a cadeia de produção ciclística?; não aumentaria a saúde dos novos pedalantes?; pedalar até o trabalho distante seria a melhor coisa que poderia acontece para acabar com as filas nos hospitais…as pessoas deixariam de fumar, não se atrolhariam em ônibus com janelas fechadas no inverno (eca), não….ííííh, são tantos os benefícios!!! Copenhagen e Amsterdan PENSAM COMPLETAMENTE DIFERENTE DE TI. e “fecham” c o Marcelo…eu tbm.
on Nov 3rd, 2011 at 7:06 pm
Caro Paulo, infelizmente caiste no senso comum dá zh em desvirtuar a bandeira dá MC. Deixo bem claro, nao faço parte dá mc, mas admiro. Mas nao reduza os ciclistas a um movimento. A mc é o mais expressivo, contudo somos milhares por poa. Te enganas ao querer dizer q bicicleta é coisa de universitário sem compromisso. Existem mtos trabalhadores da construçãlo civil, dá indústria, do comércio q gostariam e poderiam fazer seus trajetos em bicicleta. Além disso seria considerável o número de pessoas na área central q desistiriam do carro, o q afetaria substancialmente a qualidade de quem precisa mesmo percorrer gdes trajetos em carro ou ônibus.
Estou morando atualmente em Bordeaux, é expressivo o número de pessoas q andam mais de 15kms diários pra ir e voltar do serviço, como é o meu caso. Há ciclogaixas por tudo, e ciclovias ligando municípios. Os motoristas, mesmo estressados, respeitam, pois leram o código de trânsito e sabem q a bicicleta nao é um lazer, Madri um meio de transporte e é seu dever zelar por eles.
No ínicio a gente sua bastante sim Paulo, mas depois q entra em forma o suor diminui. Experimenta, vc vai gostar.
on Nov 3rd, 2011 at 7:08 pm
Troque o Madri por “mas” e desculpa os erros, escrevo de um celular. Abraço
on Nov 3rd, 2011 at 8:01 pm
Diante da inércia da esquerda tô começando a perceber chances reais de vitória do Incompetente Fortunatti.
on Nov 3rd, 2011 at 9:09 pm
É fácil ver como Porto Alegre vai na contramão: as pessoas pensam na contramão! Porque os motoristas são loucos inconsequentes, não se deve construir ciclovias; porque as pessoas precisam ir todas trabalhar – detalhe: de carro -, não se deve construir ciclovias; porque “os pobres precisam morar perto do trabalho”, deve-se construir espigões; porque aqueles que defendem o uso de bicicletas são “profissionais liberais, estudantes, classe média alta”, é fácil querer uma cidade melhor.
Fazer cumprir a legislação de trânsito, ninguém quer. Melhorar a relação de capital-trabalho, ninguém quer. Melhorar a qualidade de vida das cidades, ninguém quer. Ou melhor, quem quer são os tais dos estereótipos mencionados – mas se esqueceram de mencionar muitos que lutam e não estão nem perto desses chavões.
Isso é o que eu chamo de pensar na contramão, é querer adaptar-se ao que não está bom, em vez de não aceitar isso – e Poa parece estar marchando nessa direção, quando seus habitantes poderiam dizer “não”! Contramão é dizer, ou melhor, resignar-se que bom é estar num engarrafamento de 20 quilômetros para ir trabalhar a semana inteira todas as horas até não raciocinar mais, para voltar para a sua lata de sardinha que se chama condomínio e, só faltou, ligar a sua maravilhosa TV para ver algo completamente sem sentido e imbecilizante. Parabéns!
ps. …mas, felizmente, alguns não pensam assim.
on Nov 3rd, 2011 at 9:21 pm
Embora um pouco mal colocada, a discussão esta aberta. Em qualquer cidade, hoje independente do tamanho o transporte das pessoas é tema de controvérsias. O que vemos em PoA hoje tem isso que é universal, mas o maior problema é a omissão. Elas tem origem no fato de as autoridades (ah as autoridades) não são cidadãos. Isso se estende aos outros serviços públicos. Omissão e megalomania. Existem centenas de iniciativas que deixam de ser tomadas que cada uma delas melhoraria o seu quinhão resolveria um problema aqui outro ali. Mas o que se apresenta é a solução global para todos os problemas. Todos os problemas do motorista individual. Metro, Corredores… tudo na ótica de aliviar as ruas para os automóveis. Eis o impossível. Cada alteração que se fizer para beneficiar o automóvel, em poucas semanas mais pessoas que estão dentro dos coletivos estarão convencidos disso e optarão pelo automóvel. Logo tudo está entupido novamente.
As soluções são múltiplas. ônibus, lotação, bicicleta, metro, automóvel…sim, com restrições, desestímulo como quem fuma em público.
Pista exclusiva para ônibus. Por quê precisa obra de grande dimensão para isso? Por que o automóvel não pode abrir espaço. Elevada ou trincheira: Por quê não se faz somente para o coletivo. Ônibus parar em todos os semáforos? Porquê? Alem do mais, no período de acensão do
do neoliberalismo ficou proibido falar em sistema pública de transporte. Tinha que ser um negócio. Morreu. Não dá mais. Precisamos voltar a falar em empresas públicas no sistema, tarifa zero e qualidade.
A pistas para fazem sentido sim. Mas a discussão sobre elas está escondendo também a omissão do Prefeito de Porto Alegre diante da grande armadilha que são a RS 010, a rodovia do Parque e a Nova Ponte do Guaiba que despejarão milharas de automoveis nas ruas da capital. O Fortunati vai ficar conhecido como o Prefeito que inaugurou o maior hotel subterrâneo da América, porque os motoristas virão na segunda, passarão a semana nas garagens subterrâneas e voltarão para as periferias no sabado.
on Nov 3rd, 2011 at 10:18 pm
A cidade deve diversificar a sua mobilidade urbana. Deve romper com esse monopólio das indústrias automobilísticas e dos ônibus! É necessário uma governança que tenha competência em gerenciamento de políticas sociais e urbanas, para romper com esse círculo vicioso de estagnação e criar alternativas ousadas de mobilidade urbana, como: metrôs, hidrovias, ciclovias, pontes, ferrovias… para atender a demanda da população….
on Nov 3rd, 2011 at 10:25 pm
as vezes não é nem questão de pensar “X”, existem estudos que comprovam isso, e experiências de centenas de outras cidades que resolveram adotar a bicicleta como meio de transporte de primeira classe.
http://transporteativo.org.br/wp/2011/08/30/a-economia-da-bicicleta/
on Nov 3rd, 2011 at 10:36 pm
Antes da discussão de ciclovias que se alardeia nesta cidade, na verdade deveríamos discutir a questão do transporte público, que é de péssima qualidade, em que não há fiscalização, as próprias empresas controlam o horário a seu bel prazer, onde se verifica que as Empresas controlam o erário público através de recursos privados para campanhas políticas, em que os ônibus e lotações são sujos, e quando se encontram limpos são oriundos de carros novos, em que a passagem é cara, em que se constata um monopólio entre as mesmas, em que as empresas foram divididas em regiões, em que não houve licitação das linhas, aliás ao que parece há mais de 20 anos.
Comparar a qualidade de cidades projetadas como a Holanda e outros, é o mesmo que comparar o diabo com os anjos, aliás comparar o Brasil com outros países é no mínimo subestimar a inteligência do povo brasileiro e gaúcho.
Notadamente, as ciclovias serão implantadas a força com interesses políticos, em que do meu ponto de vista não atingirá os seus objetivos.
Na verdade o que se precisa nesta cidade é transparência do custo do transporte público.
on Nov 3rd, 2011 at 11:04 pm
Cara, recomendo que tu de uma olhada no relatório do PDCI (http://www.scribd.com/fullscreen/62612614?access_key=key-mepavcoljmp9u2owl8m), nem que seja uma passada de olho por cima das quase 200 páginas que o compõem. Aí não só é levado em conta a distribuição espacial como a malha de transporte público, declividades, fatores socio-econômicos e afins.
As questões levantadas por ti são cobertas lá nas páginas 45 em diante.
E só lembrando que, o plano cicloviário e a exigência por uma malha cicloviária é algo de 30 anos atrás, e não um movimento de mauricinhos alienados como tu aparentemente acredita ser.
Quanto a comparação holanda-brasil, se tu não quiser pegar Amsterdan ou Copenhagem com como exemplos (que eu acredito que seria a utopia aqui), pode dar uma olhada no que acontece no Rio de Janeiro (~200km) e Coritiba (~130km)
on Nov 3rd, 2011 at 11:54 pm
Vai chegar uma hora em que não será mais possível (por falta de espaço) construir pontes e viadutos, abrir túneis, construir elevadas, e abrir novas ruas. Daí o rodízio de automóveis se imporá. Um rodízio pesado, em que o automóvel rodará por um dia e ficará quatro na garagem. Mas até lá esse bando de incompetentes (alguns vereadores com três, quatro mandatos seguidos) terá desaparecido, restando apenas algumas placas enaltecendo o grande trabalho que fizeram pela comunidade. Os trastes virarão nomes de ruas, praças e viadutos.
on Nov 4th, 2011 at 12:13 am
Paulo José, trabalho há muito tempo e sempre usei bicicleta. Nenhum chefe me atucanou por isso, nos mais diversos serviços que já prestei (garçom, motorista, assistente de máquinas). Pelo contrário, os chefes e gerentes costumam ter bom senso e cooperar, arrumando o chuveiro quando este está quebrado etc.
No mais, o fato de a Massa Crítica ser formada por gente de classe média não descaracteriza suas reivindicações. Há um setor da classe média bem informado e crítico, que faz valer suas demandas através de estratégias cidadãs. Isso é muito bom para a cidade, para o Brasil, para todos.
Eu não sou de classe média alta, mas acho que nós, de classe baixa ou média baixa, devemos aprender com esse tipo de postura. É fazendo pressão nos órgãos competentes, participando de reuniões por anos e anos, criando movimentos que reúnam pessoas que compartilhem de problemas e soluções que a cidade ficará melhor para todos nós.
on Nov 4th, 2011 at 2:53 am
Copenhagen e Amsterdam… tsc tsc tsc… Sim, afinal, nós temos TANTAS semelhanças com essas cidades, não é mesmo? Por exemplo, lá deve ter um bairro Restinga que fica a cerca de 30 km do centro da cidade, onde a maior parte dos moradores trabalham.
Por que as pessoas deixariam de fumar se pedalassem?
Enquanto grande parte das pessoas viverem a dezenas de distância do seu local de trabalho, será impossível utilizar as bikes como principal meio de transporte, mesmo que se construa o melhor sistema de ciclovias do mundo. Mas para as pessoas viverem perto do trabalho, a cidade teria que crescer verticalmente, teríamos que construir os malvados “espigões”, etc…
O sujeito passa um tempinho na Europa e acha que tem a solução para todos os nosso problemas. Bem, pra quem adora nos comparar com a Europa, que tal mudarmos o nosso código penal para nos aproximarmos dos europeus? Que tal reduzirmos a maioridade penal e instituirmos a prisão perpétua?
Uma coisa é morar na Cidade Baixa, Bom Fim, Petrópolis, e ir de bike à “facul” ou no trabalho que o papai arranjou. Outra é morar na Restinga e ter que chegar todos os dias no centro no horário certo pra não correr o risco de ser despedido.
on Nov 4th, 2011 at 10:42 am
Isto tudo se não tivessem que se deslocar para longe de suas moradias. 30% do pessoal que trabalha em Porto Alegre mora nos municípios dormitórios e os que moram em Porto Alegre em sua grande maioria tem que se deslocar em grandes distâncias. Mas a Internet vai resolver tudo isto, pois mais dia menos dia, a maioria dos empregos fora da indústria serão dentro de casa. Antigamente, quando eu morava em Porto Alegre, existiam diversas indústrias ali pela volta do Guerino, e o operários se deslocavam de bicicleta. Mas moravam perto, ou no IAPI ou na Vila Sesi. Nem todo mundo gosta de pedalar ou tem saúde para tanto. Não sei como os europeus que cita, conseguiram que 30% de sua população se desloque de bicicleta. Amsterdan por ser uma cidade plana, facilita o deslocamento, já Porto Alegre é um sobe e desce.
on Nov 4th, 2011 at 11:32 am
Eu moro na Cidade Baixa e tenho visto muita gente de bicicleta, não só estudantes ou profissionais liberais, mas muito trabalhador da construção civil, carregando baldes e até escada pequena na bicicleta. Ali pela Bento também aumentou muito o trânsito de bicicletas, de trabalhadores.
on Nov 4th, 2011 at 1:58 pm
Bah, gente que conversa mais enviesada. Começa por uma crítica mesquinha e eleitoreira do Beto. E todo mundo entra na dança. É óbvio que de lado a lado há correções, o problema é que de partida os argumentos são esgrimidos com outros fins. Assim não dá para debater.
on Nov 4th, 2011 at 2:01 pm
O Cristiano falou uma grande verdade. Quem esta financiando a tal ciclovia e outras obras em Porto Alegre, é a iniciativa privada.Prova deste “despreparo” do Fortunati. Outra que me chama a atenção, é obra que a Goldstein esta querendo fazer na orla de Ipanema, para lazer, mas a orla por si só, já é de lazer. Foram cortadas raízes de árvores ali existentes (configura crime ambiental), para colocar alicerces de pedras, e como não bastasse, todos os dias à tarde tem uma turminha ali, ensaiando “andar” sobre cordas. Faz parte da encenação. Gostaria de colocar aqui as fotos que fiz, mas infelizmente, ñ é possível, mas quem quiser se certificar, ao passar pela Av. guaíba, defronte ao nº 1500/11742, olhe e verá do que estou falando.
Mais uma: Quando a prefeitura faz algo, o faz da pior qualidade, prova disto é a ciclovia da Restinga. de uma chegadinha lá e comprove.
E os buracos e a sujeira em Porto (hj não mais tão) Alegre? “Esqueceram de mim, nós?”.
Maria Hein
on Nov 4th, 2011 at 4:05 pm
Enquanto isto mais montadoras querem se instalar no Brasil, o país quebra recorde atrás de recorde de venda de carros, o crédito para comprar veículos é fácil, as pessoas moram cada vez mais longe dos centros urbanos e os ônibus são obrigados a disputar espaço no trânsito caótico.
Quando o tão falado metrô de Porto Alegre estiver pronto daqui sabe-se lá quantos anos sua capacidade já estará esgotada e sua única linha será absolutamente insuficiente. Porto Alegre devia ter investido em metrô quando da criação do Trensurb, trinta anos atrás. Agora vamos apenas enxugar gelo.
E desistimos do Aeromóvel, barato, seguro e não-poluente. Não ocupa espaço nas ruas, e aquela estrutura de trilhos de concreto pré-moldada é muitíssimo mais barata que cavar quilômetros e quilômetros de túnel para metrô. Mas como a ATP manda e obedece quem tem juízo…
on Nov 4th, 2011 at 5:00 pm
Não acho a crítica do Beto mesquinha. É uma autoridade que não se omite. Sou a favor das ciclovias mas alí na Ipiranga o ciclista ficará imprensado entre o trânsito pesado Ipiranga e o Arroio Dilúvio. Por cima terá a fiação de alta tensão e por baixo a canalização de gás. Por menor que seja o risco, e fica multiplicado por quatro. O ideal era fazer. como já comentou alguém acima, uma ciclovia beirando o Guaíba, do Centro até Itapuã, são 50 km sem os poluentes dos veículos que trafegam em pesp pela Ipiranga.
on Nov 4th, 2011 at 8:34 pm
Paulo, talvez você esteja vendo o problema por um único ângulo. E com rancor.
Nos debates sobre mobilidade urbana, sempre se levanta a questão da residência longe do trabalho. Essa bola não está sendo levantada agora. Há muito se fala da necessidade de uma reconfiguração do espaço urbano, de modo que as pessoas não precisem fazer grandes deslocamentos.
Outra coisa que sempre se debate é a integração de meios de transporte. Então a pessoa que mora na Restinga, se morasse em uma cidade com um governo responsável e inteligente, poderia acoplar sua bicicleta em um ônibus configurado para tal e ao chegar no centro poderia pedalar.
Agora, eu acho que com esse rancor que você escreve, realmente fica difícil enxergar soluções. E não é necessário comparar-se com a Europa – se os exemplos de sucesso de cidades desenvolvidas não lhe servem de modelo* – dê uma “googleada” sobre a malha cicloviária de Bogotá, capital da Colombia.
*nessa linha de pensamento que você sugere, de negar o desenvolvimento alcançado por outras cidades, tudo teria que ser reiventado em território nacional? Por exemplo, a engenharia, a medicina?
Caso queira ver esse outro lado, sugiro um programa que foi ao ar há pouco mais de um mês no canal Futura.
http://youtu.be/iujKQzMY5sA?list=PLC6AD2C9D80EED972
Abraço!
on Nov 4th, 2011 at 9:10 pm
Falaram mal da Europa, mas lá na eu vi as pessoas indo de bicicleta em ciclovias até a estação do metrô (que na verdade são como o tremsurb, de superfície). Há enormes estacionamentos de bicicletas nas estações e por toda a cidade. Há Carros, mas o transporte de massa é por meio destes meios não poluentes. Assim não se chega suado e se move rapidamente para quem precisa trabalhar (até de distâncias comparáveis com a Restinga). Além disto se pode entrar de bicicleta em vagões de trem e ir fazer turismo em outras cidades, mas isto é outra história.
on Nov 7th, 2011 at 11:03 am
Embora com certo atraso, gostaria de dar um pitaco nesta recente polêmica. Não vi a nossa gloriosa mídia (em especial a RBS, que, como era de se esperar, logo assumiu o lado do Fortunatti nesta polêmica) mencionar o recente episódio da obra feita na Av. Ipiranga pela PUC. Pelo que sei (através dos taxistas que trabalham no ponto da PUC), o plano da PUC era alargar a pista para o lado do Arroio Dilúvio (ou seja, para o lado dos postes de alta tensão). Só que eles esqueceram de um detalhe: consultar a CEEE. E quando os engenheiros da CEEE viram a obra começar, alertaram a companhia, que embargou a obra. Esta é a história que eu ouvi dos taxistas que trabalham ali naquele ponto. E como eu vi que, de fato, a obra chegou a começar para o lado do Arroio (eu passo todos os dias ali e vi isto), e depois “mudou de lado”, logo após ficar parada um tempo, acho que esta versão é verdadeira. E por que a CEEE teria embargado a obra da PUC? Justamnte por causa dos postes de alta tensão. Então eu me pergunto: será que é “absurda” a questão levantada pelo Beto Albuquerque? Se há menos de um ano uma obra viária foi embargada EXATAMENTE POR ESTE MOTIVO? E por que ninguém fala nisto? Será que não podias investigar isto, Marco? Enfim, fica a sugestão …
on Nov 7th, 2011 at 11:04 am
PS: Eu ia me esquecendo: a obra à qual me refiro é exatamente a que aparece na foto que ilustra este post.