Na sua curta história o Rio Grande se caracterizou como um estado conservador. De um conservadorismo dual, marcado por uma constante luta entre os conservadores e os muito conservadores. Maragatos versus chimangos, liberais versus republicanos.
A ocupação do espaço econômico ocorreu desde os primórdios basicamente através da grande propriedade da pecuária extensiva, de baixo investimento e produtividade e modestíssimos salários. Altamente concentradora de renda. O exercício do poder político resultou sempre da disputa entre os grandes fazendeiros e os representantes do poder estatal, urbano, representando os interesses do poder central, num primeiro momento monárquico e português, mais tarde republicano. A proclamação da República, final do século XIX, marca o início de uma nova era, cuja hegemonia é exercida pelo eixo São Paulo-Minas. É o período da política “café com leite” da república velha. A revolução de trinta marca o início de uma etapa modernizadora, de caráter nacionalista-desenvolvimentista da era Vargas-JK, que assusta os conservadores e desemboca na ditadura de 1964.
A grande novidade do cenário político brasileiro e gaúcho é o surgimento do PT, nos final dos anos setenta, nos estertores do período militar. Surge e cresce rapidamente um novo partido que nasce da mobilização dos setores populares, com apoio dos trabalhadores, estudantes e intelectuais de esquerda. Em 1988 o PT elege Olívio prefeito e inicia um bem sucedido ciclo de 16 anos em Porto Alegre, encerrado em 2004.
O crescimento do PT e o avanço de algumas de suas propostas provoca forte reação dos setores conservadores do estado. Capitaneados pelo seu principal partido – a RBS -, organiza-se um verdadeiro “cerco e caça” ao partido, rotulado de forma repetitiva e à exaustão de radical, divisionista, pregador da violência, uma real ameaça à democracia. A clara mensagem era: o PT divide e um estado dividido não pode prosperar. Essa campanha atingiu o seu auge no governo Olívio Dutra (1999/2002).
Terminado o governo Olivio, o PT só volta ao governo do estado em 2011, oito anos depois. O inevitável “inchaço” e os desafios da governabilidade, vão aos poucos mudando o partido. Os “tempos heróicos” passam a ser coisa do passado, propostas de mudança mais radicais são deixadas de lado. Escândalos e denúncias de corrupção envolvendo seus militantes e dirigentes tornam-se cada vez mais freqüentes. Tivemos o “mensalão” e se sucederam depois inúmeros “mensalinhos”. Temos o que os donos do poder queriam: um PT desgastado, com menos força, mais “manso”.
Aqui no estado, a exemplo do que Lula e Dilma fizeram com sucesso, Tarso se elege no primeiro turno apoiado por uma ampla coalizão de partidos sem nenhuma unidade ideológica ou programática, uma verdadeira “sopa de letrinhas”. Lá na esfera federal deu certo: Lula e Dilma conseguiram avanços importantes viabilizados, principalmente, pelo bom desempenho recente da economia do país e pela existência de uma sólida situação fiscal: o superávit primário da União deverá este ano superar os 120 bilhões de reais.
Aqui neste nosso extremo sul o “furo é mais embaixo”. Tarso herda um estado com as finanças em frangalhos. Em vez de superávits, déficits. Pesado serviço da dívida, crescentes encargos previdenciários, precatórios a pagar, e uma forte pressão dos servidores que exigem aumentos reais de salários. Neste final de 2011 os professores deflagraram uma greve inviável porque reivindica o impossível, ou seja, o pagamento do piso nacional integral, já.
Num governo cheio de problemas, com grandes chances de não dar certo, Tarso faz uma opção que lhe convém, cometendo um grande equívoco. Decide, sem aprofundar qualquer avaliação, dar continuidade ao projeto “Cais Mauá”, um velho sonho dos interesses imobiliários e da construção civil, obviamente apoiado pelo seu braço midiático, a RBS.
Trata-se de um projeto que privatiza espaços públicos nobres – hoje subutilizados -, que sofre críticas de inúmeros urbanistas que afirmam que ele não tem qualquer identidade com a história da nossa cidade. E o pior: é questionada a própria licitação, suspeita porque permitiu que as empresas e os profissionais que elaboraram o estudo preliminar concorressem, com óbvias vantagens. Um “jogo de cartas marcadas”?
Uma idéia “ousada” – uso o termo porque é um dos preferidos do governador – que tem origem lá no governo Brito, que dormitou no sonolento governo Rigotto e que ganhou forte impulso no pirado (des)governo Yeda. Comprometida até o pescoço com o projeto, a então governadora assinou, ao “apagar das luzes” – ignorando o que um mínimo de prudência recomendaria – um contrato com o consórcio vencedor apesar de existir uma ação judicial que ameaçava torná-lo nulo.
Trata-se de um projeto megalômano – que prevê obras faraônicas em uma área inadequada – e de um contrato assimétrico, lesivo ao patrimônio e ao interesse público. Não foram definidas e tornadas públicas as contrapartidas do setor privado. Quem vai custear as grandes obras viárias necessárias para viabilizar a acessibilidade à área? Há projetos ou pelo menos estudos iniciais com previsão de custos? Qual a taxa de retorno do empreendimento considerando-se uma concessão inicial pelo prazo de vinte e cinco, renovável por igual período?
O projeto foi viabilizado por uma lei do governo Fo-Fo (Fogaça-Fortunati) que alterou radicalmente o regime urbanístico da área, aumentando alturas, taxas de ocupação, índices de aproveitamento e o zoneamento de uso. O projeto dividiu a bancada petista na Câmara. Disseram não ao projeto Maria Celeste, Sofia Cavedon e Carlos Todeschini. A favor votaram – como sempre – os integrantes da bancada “modernista-empreendedora-imobiliária” do PT: engenheiro Comassetto, Mauro Pinheiro e Aldacir Oliboni. O vereador Adeli Sell não votou, estava ausente. É estranho, por se tratar de um projeto importante e de um tema polêmico, que “rachou” a bancada municipal, que o governador não tenha tido o cuidado ouvir os vereadores do seu partido na cidade para pesar os argumentos do “pró e do contra”.
O partido hegemônico do estado, a RBS, solta foguetes, comemora a vitória. Utilizando generosos espaços a ZH exalta a importância histórica do megaprojeto para o futuro de Porto Alegre. Tarso é objeto de fartos elogios: surge, enfim o governante de larga visão, o pacificador, um político com postura de estadista que finalmente acaba com a absurda guerra que perdurava há décadas, promovida pelo raivoso PT de antanho, felizmente já sepultado.
É exaltado, também, o importante papel no episódio do seu jovem chefe da Casa Civil. Ele foi incansável na sua sagrada missão de convencer os empedernidos burocratas da Antaq lá na capital federal de desistirem da ação que impedia o início do projeto. Um verdadeiro “peregrino de Brasília” que com tenacidade e grande esforço conseguiu afastar a “enorme pedra” que atravancava a estrada, impedindo o avanço do progresso.


on Nov 28th, 2011 at 12:14 pm
Realmente, prof. Muzell, o PT representado por Tarso Genro e seus colaboradores tem tomado rumos questionáveis. Sinto-me confortavel para dizer isso, pois já militei no Partido e posso, criticamente, abordá-lo, conforme o exercício da velha e boa dialética.
O mentor do projeto-base, o arquiteto Jaime Lerner, embora tenha conseguido algumas boas soluções urbanisticas para Curitiba, vendeu o Banestado e um sem-numero de estatais, nos loucos anos Fernando Henrique.
É um defensor dos empreendedores, se podemos chamá-los disso, e do grande capital internacional que está por detrás do nosso “Puerto Madero” guasca.
Tarso foi se aliar a gente deste tipo e pode manchar seu governo com essas concessões aos projeto neoliberal.
É tudo que a Direita quer: o PT mansinho
Abs.
on Nov 28th, 2011 at 12:31 pm
Morando no Norte do país há vários anos, da última vez que estive em Porto Alegre fiquei horrorizado com aqueles estruturas do Trensurb diante do Mercado Público. Que monumento ao mal gosto! E que desrespeito ao patrimônio histórico. Aquilo é dissonante do velho Mercado e o prejudica. Agora fico a imaginar que desagradáveis surpresas me aguardarão em Porto Alegre a cada visita. E esta é a que certa vez queriam emplacar como a “capital cultural do Mercosul”…
on Nov 28th, 2011 at 2:43 pm
A RBS está a elogiar? Melhor colocar as barbas de môlho.Sempre votei em Lula e o meu candidato seria Olívio Dutra,por razões que ninguém desconhece… principalmente a RBS. Calma,Tarso. Revise esse contrato! Fale com nossos vereadores…AQUELES QUE VOTARAM CONTRA! Não se iluda! Não queremos e tampouco precisamos dessa mídia tacanha,manipuladora,golpista e anti brasileira. Nosso PT é diferente daquele que pretende essa filial da MAdastra Globo.O que é bom para eles,não é bom para nós. SIGO repetindo: Tarso não é OLÍVIO,NÃO É MESMO?Com ele, seria assim, tão fácil?Com a palavra a especulação ordinária imobiliária e seus apoiadores..
on Nov 28th, 2011 at 3:06 pm
Engraçado que um Estado tão conservador tenha votado em Lula em 1989, 1994 e 1998. Um estado tão conservador que já teve um governador negro (apenas o ES acompanha o RS nesse feito).
on Nov 28th, 2011 at 5:01 pm
Reafirmo minha inconformidade com o tamanho dessa fonte dos comentários. Não os leio!
Quanto a essa megalomania de estruturas previstas para o “Cais Mauá”, ela só é comparável à megalomania do nosso atual governante estadual. Certamente, ele quer ficar com seu nome gravado para sempre à destrição do “por-do-sol-do-Guaíba”, visto daquele ponto.
Palmas pra ele, que ele merece!!!
on Nov 28th, 2011 at 5:26 pm
Caro Paulo, permita-me discordar de sua análise, acho que você foi provinciano e de um esquerdismo pueril. O PT sempre foi um partido de esquerda que soube conjugar o interesse público com interesse privado, a isso se deve o sucesso do partido. Não posso crer que você seja contra o projeto só porque a RBS apóia por seus interesses próprios e porque os empresários vão lucrar, a cidade e o estado também vão ganhar muito.
Vamos raciocinar ao contrário, Tarso bater o pé e trabalhar contra o projeto, marcar posição, qual o ganho? desfazer o que o governo Yeda queria fazer correndo, mostrar pra RBS quem manda no pedaço…?
Eu detesto tucano, a RBS, globo… muito mais do que você mas não rasgo dinheiro nem desperdiço oportunidades… ser contra só se ficar provado prejuízo ao município e ao estado fora disso não encontro nada que possa desabonar a conduta acertada de Tarso.
on Nov 28th, 2011 at 6:41 pm
Vamos por partes. O caís do porto estava entregue as moscas, um espaço público não permitido ao porto alegrense. Milhares de empregos serão gerados, e é nisto que Tarso está de olho, Paulo. Nem todo mundo consegue ser funcionário público e tem que trabalhar na iniciativa privada, e para isso precisamos empregos. Vamos abrir mais um pouco a mente e aceitar o progresso,
on Nov 28th, 2011 at 8:02 pm
O Remindo Sauim acertou na mosca. Sempre tive a esquerda como pessoas de mente aberta, longe do conservadorismo tosco agropastoril latifundiário do RS. É hora de abrir a mente, sair de dogmas e implicâncias e olhar para a frente, quem gosta de enxergão é gente de CTG. Vi todo tipo de crítica ao projeto, pois não li uma única linha sobre a manutenção daquele horror chamado Muro da Mauá. É a minha única crítica, ao invés de botar abaixo o muro, verdadeiro símbolo de como a cidade segregou o Guaíba, vão dar uma guaribada nele. Tudo por causa de uma enchente de 60 anos atrás, o Rio de Janeiro seguidamente tem ressacas terríveis que destroem os calçadões à beira-mar, e ninguém nunca pensou em erguer um muro, um quebra-mar ou simplesmente tirar as pessoas da orla.
on Nov 28th, 2011 at 8:02 pm
Tá, ótimo descerem a lenha no tal “projeto”, que ninguém viu ainda em papel.
Agora quero ver melhor proposta p/ utilizar os 1500m de cais, atualmente servindo para abrigar uma merreca de eventos…
Quero ver proposta para preencher de “cultura” todo aquele espaço, e mais, torná-lo “sustentável” com a propalada cultura rio grandense…
Meus caros, enfiem os pés no chão: Porto Alegre não tem “massa crítica” para preencher nenhum espaço nem de 200m com cultura, quanto mais um de 1500…
Chega de críticas!! Se o pessoal é “chegado!” no Tarso, que vão fazer seu trabalho (como todo mundo aqui fora) e transformem o limão numa limonada!!!
Vão lá!!! E sei que vocês podem mais do que ficar digitando as críticas, usem das suas influências políticas!!! Façam este favor para os Porto Alegrenses!! Eu acredito que dá p/ melhorar e tenho p/ mim que acreditar em algo é o instrumento mais forte que há.
Agora, ficar parado chorando, não leva ninguém a lugar nenhum.
abraços
on Nov 28th, 2011 at 8:28 pm
Gaúcho: raramente respondo críticas aos meus textos, mas desta vez não deu. Primeiro reparo: o PT nasceu como um partido de esquerda e aos longo dos anos foi mudando, rumando celeremente ao centro (alguns setores francamente à direita, infelizmente) e se adaptando às exigências da governabilidade e da institucionalidade. Segundo: a questão central não é uma queda de braços com a RBS. Este projeto do Cais Mauá, que começa no governo Brito e ressurge com a Yeda é lesivo ao interesse público; permite construção de shoppings centers e espigões no “funil” mais congestionado da cidade. Exigirá grandes investimentos em obras que deverão ser custeadas com recursos públicos. Em resumo: o setor privado desfruta do filé e o podetr público – os contribuintes -, roem os ossos (pagam a pesada conta). Terceiro: provinciano é pretender transformar Porto Alegre numa nova Dubai. Quarto: existem estudos – até apresentados a Tarso quando ele era prefeito – que tratam da ativação dos Cais do Porto e dos 72 km da orla, com custos mais baratos, sem privatrização. Era isso.
Paulo Muzell
on Nov 28th, 2011 at 8:32 pm
Enfim sacramentado o maior negócio imobiliário do sul do país, em que uma área pública tornou-se do dia para a noite em área privada, em que prosperou o interesse privado sobre o público.
Realizaram o seu projeto, com hotéis até o céu, áreas de comércio, um grande negócio para quem não vai colocar um mínimo centavo na obra de infra-estrutura que a área necessita depois do megaprojeto, certamente os recursos serão públicos, estes dos Gov. do RS e da Pref. Mun. POA.
Infelizmente, os cidadãos perderam frente a turma de Vereadores, Dep. Estaduais e Federais, Senadores e Governadores na discussão deste projeto, este em uma área pública.
Não podemos esquecer que o referido projeto já foi motivo de discussão de sua ilegalidade, mas o que ocorreu, foi o seguinte, legalizaram um negócio público em troca do ente privado.
Deveriam instalar também, boates e os bares da Cidade Baixa neste projeto, em que tudo pode, tudo vale.
Finalmente, fomos enganados como cidadãos neste processo neoliberal de privatizar o que é público, sem dar uma satisfação à sociedade como um todo.
on Nov 28th, 2011 at 9:39 pm
Ótima análise e comentário professor Paulo M.
Lamentável a postura do Pestana de quem se esperava muito mais seriedade no trato de uma área tão sensível para a capital do estado.
Surpreendo-me com a “defesa apaixonada” do projeto pelos comentaristas que poderiam nos contemplar com esclarecimentos sobre as perguntas que fizeste no texto, já que parecem conhecê-lo no detalhe e não ter qualquer dúvida sobre a sua qualidade.
Eu tenho procurado conhecê-lo, mas até agora, só bonecos e manchas, intenções, maquetes eletrônicas chamativas com as quais o projeto final não terá qualquer compromisso, já que se tratam apenas de estudos de viabilidade… Nada sobre taxa interna de retorno (exigida para qualquer projeto desse porte), nada sobre a mitigação dos impactos que o megaprojeto deve causar no fragilizado Centro da cidade, e, principalmente e vergonhosamente: nada sobre a contrapartida aos cofres públicos pela cedência da orla do Guaíba aos interesses privados. Aquela região pertence ao contribuinte de Porto Alegre e do Estado do RS e, como parte interessada, queremos saber por quanto foi alienada e privatizada!!! Quais são os termos do maravilhoso contrato?
on Nov 28th, 2011 at 11:30 pm
Paulo, obrigado pelo debate honesto, aprendo muito com suas análises mas discordo da sua concepção de esquerda, pra mim o Brasil e a América Latina deve muito ao PT, foi Lula que tirou a esquerda do gueto, até poucos anos atrás o habitat natural do partido eram os sindicatos discutindo o aumento do vale-refeição e/ou o movimento estudantil gritando fora FMI.
Hoje, estamos em outro patamar, um (futuro provável) assento no CS da ONU, um modelo de governança que inclui e distribui renda, Brasil mediador de conflitos, 40 milhões de pessoas fora da linha de pobreza etc. entre outros avanços inimagináveis para a esquerda brasileira.
Cansei de ver radical começar a votar na direita antes dos 30 por isso, hoje, estou inclinado a confiar mais nos moderados.
Grande abraço!
on Nov 29th, 2011 at 12:12 am
Obrigado, Paulo, por levantar essa lebre. Por enquanto, só um comentário: como o real interesse público ou social é contemplado no atual projeto de “revitalização” (leia-se “privatização”) do cais Mauá ? Urge uma discussão ampla, culminando em consulta pública, sobre o perfil mais desejável para a área revitalizada.
on Nov 29th, 2011 at 12:13 am
O Governo Olívio acabou, bebê!
Aquele ranço agropastoril igrejeiro e sectário, que abriu flancos para todos os lados, isolando a esquerda no Estado e entregando o poder na mão do que havia de mais atrasado e corrupto não fez vocês aprenderem nada?
Querias fazer o quê no cais? Um assentamento?
on Nov 29th, 2011 at 7:56 am
[...] Não é mero acaso que a RBS também possui braço imobiliário, braço agropecuário, braço tecnológico, braço de eventos. Nem um polvo tem tantos braços. Este câncer acaba engolindo promessas como Tarso, como já fez com Manuela D’Ávila. Aliás, Maria do Rosário, no Congresso, tecendo elogios à RBS, foi o que de mais deprimente em termos de dignidade humana já vi. A RB$, quando não consegue desovar produção própria (Antonio Britto, Yeda Crusius, Ana Amelia Lemos) captura deslumbradas na seara alheia. Quanto ao Tarso, sem comentários. Como confiar em alguém que contrata um instituto fajuto para derrubar colega de partido? Ele, que no calor das eleições, foi se reunir com a famiglia Sirotisky para pedir comiseração, piedade, sabe-se lá em troca de quê?! O Cais Mauá e a “pacificação” do Rio Grande [...]
on Nov 29th, 2011 at 8:41 am
O Cais Mauá estava entregue as moscas.Então vamos tirá-lo das moscas e entregá-lo a aves de rapina.Aquela é uma área pública entregue em aluguel para a iniciativa privada ganhar dinheiro.Serão 550 milhões que buscarão junto ao BNDES com juros de 4,5% ao ano, alterando drasticamente a paisagem do centro histórico, colocando cinco mil veículos em garagens subterrâneas, edrguendo torres comerciais,entupindo mais ainda o trânsito daquela parte da cidade.É a privatização do espaço público, algo muito caro para políticos tipo Britto, Rigotto, Yeda e Tarso.Fazem parcerias “promissoras”. Cabe ressaltar que em 25 de junho de 2009 o nome de Jaime Lerner e de seus sócios espanhóis já eram citados na Câmara de Vereadores como os maiores interessados no projeto. E não é que ganharam a concorrência! Só uma coisa.Tanto as possíveis obras no Pontal do Estaleiro Só, quanto a do Cais Mauá estão sofrendo questionamentos judiciais por um grande número de irregularidades existentes.
on Nov 29th, 2011 at 9:49 am
Concordo totalmente com as críticas do mestre Paulo Müzell relativas à concepção do projeto, à falta de contrapartidas (medidas compensatórias) da iniciativa privada à cidade (tão bem trabalhadas durante a Administração Popular) e ao escândalo da participação do próprio escritório que projetou a obra no seu edital de execução.
Porém, discordo da idéia de manter aquele espaço como área portuária, uma vez que as tais operações (cargae descarga de mercadorias) há muito foram totalmente transferidas ao Cais Navegantes. Acredito que poderia ser preenchido com estações hidroviárias para viagens regulares e turísticas, além de escolas de esportes aquáticos.
on Nov 29th, 2011 at 9:50 am
Até que enfim uma crítica a altura a esse projeto medonho. Infelizmente, quando partidos rivais chegam num grande acordo se dando tapinhas nas costas, em geral é para nos f… Provincianos sim, os que só vêem o rio do ponto de vista de quanto vale um apartamento no vigésimo andar. Os que acreditam (ou fingem acreditar) que a construção civil (ou a indústria automobilística) é a campeã de geração de renda e empregos qualificados. Nem parece que o mesmo PT, quando na prefeitura, conseguiu contrariar os interesses da especulação, qualificando a orla entre a Usina e o Estaleiro Só, hoje sacramentada como espaço público de lazer indispensável (embora desconhecida da parcela da burguesia local que prefere o ar condicionado dos shopping centers).
on Nov 29th, 2011 at 12:26 pm
Odeio esse projeto desde o ínicio. Descaracteriza o já descaracterizado centro, avança sobre os históricos armazéns e seu belo portal…incrível ainda mais é que o PT abriu suas pernas para essa maracutaia toda..que vergonha…
on Nov 29th, 2011 at 2:04 pm
Tudo bem! Tudo verdade. Mas qual é a solução para o porto, desativado e abandonado? Qual a solução para as obras que enfeiram sobremaneira Porto Alegre? Eu só leio críticas, mas não vejo alternativas. Antes que me perguntem, já respondo. Eu não sei. Eu quero acesso a toda a cidade, com serviços sim, com lazer, com aproveitamento de toda a orla.
Por isso pergunto. Qual a solução para o cais Mauá?
on Nov 29th, 2011 at 2:46 pm
Porto Alegre é uma cidade que passa mais de costas para o Guaíba do que de frente e me surpreende demais que “aproveitar” o cais do porto, fazer grandes
prédios transformou-se em primeira prioridade numa cidade que não recolhe seu lixo, que as calçadas são semi-destruídas, enfim, há um sem número de problemas não ou mal resolvidos. Uma amiga que não mora em POA faz algum tempo, perguntou-me: porque fazer algo igual a tantas cidades ?
e eu me pergunto: vai ter ponte do Calatrava para ficar igual a Buenos Aires ?
on Nov 29th, 2011 at 2:55 pm
Gaucho: concordo com tua opinião.Detesto a RBS,não olho, não leio, não escuto mais.É uma empresa corruptora, golpista e está sempre pendurada nos cofres públicos, mas o Tarso tem que pensar no estado e não na rbs.Para mim, não há nada mais asqueroso no estado que essa empresa e seus jornalistazinhos.
on Nov 29th, 2011 at 7:42 pm
Continuo confiando no Tarso e no PT. Tem gente que foi ultrapassada pelos avanços do Brasil e fica achando tudo ruim. Século 21, Paulo.
on Nov 29th, 2011 at 9:06 pm
Uma verdadeira Ode ao atraso.
on Nov 29th, 2011 at 9:22 pm
De fato, o Governo do RS consegue desgradar até quem trabalha nele. Não pensem que há unanimidade em temas como Copa 2014 e Cais Mauá. Porto é porto e deveria ser utilizado como tal. O aumento da produção e das exportações serão cobradas ali adiante, quando não tivermos espaço para acomodar navios. Sem falar na densidade demográfica a ser provocada por tanta gente no centro, numa cidade que já enfrenta congestionamentos em qualquer hora do dia. É possível, à medida que as obras avançarem, termos condições de acompanhar as obras, os custos, a redução de danos ambienatis, as contrapartidas das empresas privadas. Será o mínimo a esperar/cobrar do Governo: transparência.
on Nov 30th, 2011 at 8:00 pm
Quem ficar atrás destes monstros terá um ótimo microclima, sombra, falta de vento acúmulo de sujeira.
Quem constrói deveria ser obrigado a viver na sua maravilha arquitetônica!
Não é Sr Maiojama.
on Dec 5th, 2011 at 11:22 pm
Acho engraçado q ninguém protesta contra os prédios do judiciário e do MP que são construídos próximos ao Guaíba. Queria saber se eles são feitos de algum material especial, que faz com que eles não alterem o clima na sua proximidade.
Ou será que ninguém protesta pq esses prédios não visam ao LUCRO?
on Dec 6th, 2011 at 9:28 pm
E a questão ambiental não conta?Acumular milhares de pessoas e concreto em um pequeno espaço, aumentar a poluição… nada disso conta? Só o que importa é a especulação imobiliária? Precisamos avançar e não copiar modelos de desenvolvimento ultrapassados, inimigos do meio ambiente.