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A economia gaúcha em 2011

Paulo Muzell

A Carta de Conjuntura da Fundação de Economia e Estatística (FEE/RS) do mês de janeiro traz importantes informações sobre o desempenho da economia gaúcha no ano passado. Como se trata de uma publicação especializada, destinada a um público restrito, achei oportuno trazer alguns números e informações para os leitores do RS URGENTE.

A taxa de crescimento do PIB/RS 2011 atingiu 5,7%, bem acima dos 2,9% do PIB brasileiro. É verdade que menor do que a taxa do ano anterior, 2010, que foi de 7,8%. A observação importante é que o expressivo crescimento de 2010 se deu em cima de um péssimo desempenho do ano anterior (2009), quando ocorreu uma retração de 0,4%. O incremento de 5,7% do ano passado é significativo por ter ocorrido sobre uma base elevada. Registre-se, também que essa taxa está bem acima da taxa média anual do quadriênio anterior – governo Yeda Crusius (2007/2010) – que foi de apenas 4,0%

Os técnicos da FEE destacam o fato de setor agropecuário gaúcho representar 11,8% da agropecuária nacional, ocupando a posição de segundo estado agrícola mais importante no ranking do país. O setor primário representa 9,9% do valor agregado bruto estadual, muito acima da média brasileira, de 5,6%. Numa perspectiva sistêmica a agropecuária e a cadeia do complexo agroindustrial devem representar algo em torno de um terço do nosso PIB. Assim, nos seis anos em que o setor primário teve bom desempenho a economia gaúcha foi bem: 2001, 2003, 2006, 2007, 2010 e 2011. Ao contrário, nos anos em que a produção agropecuária decresceu, a economia do estado foi mal: 2002, 2004, 2005 e 2008. Já 2009 foi o único ano atípico porque a crise internacional eclodida no do final de 2008 afetou muito negativamente o desempenho da indústria gaúcha no ano seguinte.

O comércio teve também um bom desempenho, cresceu 7,7% em 2011, taxa bem acima do crescimento do PIB estadual. Este expressivo crescimento do setor foi fortemente sustentado pela venda de materiais de construção (mais 23,8%) e de móveis e eletrodomésticos (mais 16,6%), atividades intrinsecamente associadas ao ótimo desempenho da construção civil.

Outra informação importante da Carta de Conjuntura da Fundação é o último dado disponível – de novembro de 2011 – sobre o desempenho do mercado de trabalho na Região Metropolitana de P. Alegre, da pesquisa PED/DIEEESE/FEE. Foram criados em novembro passado 58 mil novas ocupações na Região Metropolitana. Considerando-se os primeiros 11 meses (período de janeiro a novembro/2011), a taxa média de desemprego, de 7,5%, é a menor registrada para esse período de toda série da pesquisa, iniciada em 1992 e que no mês de junho próximo completará 20 anos de existência.

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