O jornal Metro – uma “joint venture” do Grupo Bandeirantes e da Metro Internacional – publicou na semana passada, com grande destaque, matéria sobre a reforma e ampliação do Mirante do bairro Santa Tereza. É de se estranhar que um importante projeto da Prefeitura da capital, envolvendo um negócio de dezenas de milhões de reais seja anunciado na ausência do prefeito José Fortunati – candidato à reeleição num ano eleitoral -, pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Záchia, atual secretário municipal do Meio Ambiente (SMAM).
Segundo Záchia, o projeto seria viabilizado através da permuta de áreas entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Cia. Zaffari. O município entregaria uma área de sua propriedade, de 6 mil metros quadrados localizada no bairro Três Figueiras, avaliada em 15 milhões de reais, recebendo em troca 3,8 mil metros quadrados localizados junto ao Mirante S. Tereza e uma gleba de 120 hectares localizada junto à Reserva Ecológica do Lami, que seria ampliada. A reurbanização do Mirante ficaria à cargo do grupo privado, com custo estimado em 600 mil reais. O projeto de lei autorizativo, anunciou o secretário, será enviado à Câmara Municipal num prazo de 60 dias.
Numa avaliação preliminar, sem dispor ainda dos laudos técnicos, parece carecer de isonomia a permuta anunciada. A Prefeitura trocaria uma área localizada num bairro nobre, classe A, com excelente potencial construtivo por um terreno localizado em área degradada, desvalorizada e mais uma gleba situada em zona periférica, rural, junto à uma reserva ecológica com baixo ou nulo potencial construtivo e, portanto, de reduzido valor.
Surpreendentemente, procurada pelo Metro a Cia. Zaffari informou “não possuir envolvimento com o assunto”.
Outro fato estranho é que a notícia do anúncio de um projeto deste porte não ter tido repercussão: os demais veículos da mídia impressa da capital simplesmente ignoraram o assunto. Há uma “misteriosa nuvem de fumaça” em torno do tema. O prefeito Fortunati enviará o projeto à Câmara Municipal até o final de abril próximo? Vamos aguardar, atentos, com os olhos bem abertos.


on Feb 13th, 2012 at 9:03 pm
Nem morta eu consigo ter paz! Que crueldade…
Novamente os mesmos querendo colocar a área do Morro Santa Tereza em xeque-mate… Como são insistentes… Por que será???
Em 2010 queriam vender toda a gleba a preço vil. Lembram-se?
Agora só o Mirante (e por permuta de áreas).
Espera-se que a parte boa da sociedade reaja como fizera da outra vez: DIGAM NÃO!
O MIRANTE é propriedade do povo!!!
Parabéns ao Jornal METRO que, embora recém-nascido, está dando de relho nos periódicos locais.
P.S.: Desculpa LFV, mas reencarnei!!!
on Feb 14th, 2012 at 9:30 am
Seria então um balão de ensaio?
on Feb 14th, 2012 at 10:00 am
Quando os gaúchos vão tirar o poder desse zachia? E o Zaffari deveria estar cuindando mais de seus supermercados, cuja qualidade vem despencando dia após dia.
on Feb 14th, 2012 at 7:01 pm
Podem transformar o mirante, batizado Belvedere Ruy Ramos oficialmente, no novo Jardim Suspenso da Babilônia. Eu não boto o pé lá, nenhuma vista vale levar tiro de um assaltante.
on Feb 22nd, 2012 at 1:22 pm
Curiosamente, o beneficiado da vez é aquele supermercado do hit musical da ex-primeira dama da cidade. Querem trocar uma área no supervalorizado bairro Três Figueiras, possivelmente para construção de outro hipermercado, por uma zona desvalorizada(e perigosa) como o Morro Santa Tereza.
Primeiramente é um péssimo negócio paraios cofres públicos. por favor, Dr. da Camino, fique atento.
Depois, é que este grupo sempre é beneficiado em áreas de seu interesse. Constrói-se pontes e fazem-se mudanças no tráfego das vias por conta de seus empreendimentos. Será ele um bom doador para campanhas eleitorais?
Dizem que um certo Sr, ex-secretário de Fogaça, tem importante cargo nessa rede. Suas iniciais são Clóvis Magalhães. Ele mesmo nos informa na rede Linkedin: http://br.linkedin.com/pub/clovis-magalhaes/31/521/b9a
Essas coincidências teriam alguma coisa a ver…
on Mar 7th, 2012 at 12:48 pm
Olha, o Mirante tem que ser criado, e com ele tem que ser criado postos de trabalho para os moradores locais, mas os moradores dizerem que o espaço é deles esta errado, pois aquilo ali é de toda população, portanto, brigar pela urbanização é justo, mas brigar para aquilo ficar da maneira que está é totalmente irracional… Precisa ser criado ruas, escadarias, acesso adequado a luz, água e outros serviços públicos, as casas precisam ser melhor construidas por estarem em área de risco, e mais um monte de coisas… só que os governos chegam desta maneira invadindo a área e dizendo que vao fazer isso ou aquilo… tenho certeza que a população aceitaria uma urbanização adequada, e melhores condições de vida, mas desta maneira que foi publicado, nao existe negocio