Guilherme Gomes e Marcelo Nepomuceno (*)
Este texto não tem como objetivo formular conceitos ou defender teses. A intenção é informar e estimular o debate que, infelizmente, tem sido feito de maneira incipiente entre os especialistas e a academia.
Há um consenso no governo gaúcho, de que recuperar as funções públicas do Estado e estabelecer políticas indutoras do crescimento econômico e social é o caminho mais adequado.
A convicção de que esta estratégia está correta foi evidenciada pelo governador na recente reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ocorrida no último dia 10 julho. Em uma breve apresentação aos conselheiros das medidas adotadas nos primeiros 18 meses de gestão, Tarso Genro destacou a valorização e qualificação do serviço público, a ampliação do espaço fiscal para captação de financiamentos e a conseqüente tomada de recursos para realização de investimentos, a criação de estímulos e incentivos fiscais para atração e ampliação de empresas, fortalecendo nossa base produtiva, e a concessão de crédito para que os pequenos empreendedores e a iniciativa privada mantenham a economia aquecida.
Será que essa estratégia vai dar certo? Acreditamos que sim, mas é preciso debater o tema, pela relevância que ele tem para o futuro do Estado. Ampliemos o debate sobre a crise, portanto, e vamos em busca da qualificação da gestão e da eficiência na alocação de recursos contra a crise.
Tomemos o caso da Espanha que abortou a opção social-democrata em nome do conservadorismo (políticas de “austeridade” como tutelam FMI e o Banco Central alemão): o novo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, em apenas seis meses, fez o que o governador Tarso Genro qualificou de “o serviço completo do projeto bancário-especulativo”, ao reduzir pensões, demitir e reduzir salários de servidores, cortar investimentos, aumentar impostos e – não satisfeito – acabar com o 13° salário dos funcionários. O argumento é o da recuperação da “estabilidade econômica”, porém, uma leitura dos jornais espanhóis, no último período, dá conta do ambiente político-social gerado por tais medidas.
Mas será que essa estratégia vai dar certo? Acreditamos que não, mas é importante contrapor as experiências.
E para evitar ironias, queremos deixar claro que não estamos comparando o Rio Grande do Sul à Espanha. Queremos comparar a postura dos governantes, resultados e o seu reflexo na sociedade, diante de um quadro tão preocupante.
(*) Jornalistas, assessoria de imprensa do governador.
Foto: Caroline Biccochi

on Jul 11th, 2012 at 9:48 pm
Buenas pessoal, queremos debater o tema até para saber qual a percepção das pessoas sobre a estratégia do Governo Tarso. O Marcelo colocou o texto no facebook para ampliar o cenário da discussão. Abraços!
on Jul 12th, 2012 at 1:07 am
Caros Guilherme e Marcelo,
A par de ler sempre este rico espaço que o Marco oferece graciosamente aos leitores, raramente me manifesto.
Mas o título provocativo que os insignes articulistas propositalmente ofertaram à discussão, “Será que vai dar certo?”, instigou-me a responder:
Sim e não; não e sim (ou vice-versa, ou o oposto desta). É, caros, uma incóginita. Só saberemos as reações, a sua intensidade e os seus reflexos após as ações governamentais (condição: REPUBLICANAS!!!).
O que diferencia um governante de um estadista não é o tempo em que cada um governou (se mais ou menos), mas, sim, o que um ou o outro sacrificou (sustentavelmente) no presente em prol de um povo e de uma economia mais segura e estável no futuro. Esta atitude diferencia, singelamente, e no preto-e-branco, o que é um governista de plantão e um estadista de formação.
É o que eu almejo deste atual governo: destemor para a ousadia!!!
Quanto ao eminente jurista espanhol citado: nada contra. Mas temos neste País e nesta Província de São Pedro iguais ou melhores.
Ousemos, meus caros. Não precisamos de exemplos ou ícones externos. Isso já temos há muito no nosso Rincão. O nosso atual governante a par de ser tem tudo para também transparecer.
Ousadia e coragem não lhe faltam.
on Jul 12th, 2012 at 11:50 am
Dr Buchmann,
Uma honra ler o seu comentário. E garanto que ousadia e coragem não faltam ao nosso governante. Como o senhor sabe, os entraves burocráticos atrapalham. Mas acredito que não evitarão a consolidação do modelo adotado.
on Jul 14th, 2012 at 3:29 pm
O que Tarso chama de Estado “indutor” nada mais é do que o governo carregando a iniciativa privada no colo para que esta possa realizar o mais tranquilamente possível os seus lucros.
Vai dar certo? Para os grandes empresários com certeza, afinal estão recebendo isenções fiscais e financiamentos subsidiados. Mas e para a sociedade gaúcha? É sabido que tais medidas reduzem a arrecadação do Estado e aumentam o endividamento público. Quem paga essa conta? O arrocho salarial nos servidores e o calote no piso dos professores nos dão uma boa dica, o não pagamento das RPVs, além do aumento na alíquota do Ipergs que recaiu sob os ombros dos servidores, também. Vale lembrar ainda da privatização de parte da previdência pública realizada pelo atual governo. Se tudo isso é sinônimo de recuperação do serviço público quero estar bem longe quando se aprofundar o seu desmonte e precarização.
Do ponto de vista macroeconômico essa historinha de cadeias produtivas locais alavancadas pelas multinacionais “induzidas pelo Estado” terão como consequência o aumento da desnacionalização e da desindustrialização da economia local, fenômeno já observado por inúmeros economistas em escala nacional. Vai dar certo? Evidente que não!
E quando os limites, para não dizer fracasso, desse projeto político se mostrarem em toda a sua farsa, veremos que as medidas para “corrigi-lá” serão tão iguais quanto as adotadas na Europa. Em escala nacional, como lembrou um articulista, a Dilma está cada dia mais Merkel!