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Comitê Popular realiza ato em frente ao antigo quartel da Polícia do Exército


Além de homenagear figuras históricas como Carlos Lamarca (foto), Manoel Raimundo Soares e Alfredo Ribeiro Daudt, o Comitê avalia a Lei da Anistia, que no dia 28 completa 33 anos.

Por Vânia Barbosa

No próximo dia 28 de agosto (terça-feira), às 17h, o Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça do RS realiza um ato na Praça Raul Pilla, onde funcionou o antigo Quartel da 6ª Companhia de Polícia do Exército, utilizado como centro de prisão e tortura durante a ditadura. A Praça se localiza na esquina da Rua Desembargador André da Rocha com a Av. João Pessoa, no centro de Porto Alegre. No Quartel passaram, entre outras, figuras históricas como o Capitão Carlos Lamarca, o Sargento Manoel Raimundo Soares e o Coronel da Força Aérea Brasileira, Alfredo Ribeiro Daudt.

Na ocasião do golpe, em 1964, Carlos Lamarca esteve efetivo na PE, e posteriormente tornou-se dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares (VAR-P) e militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), grupos que atuaram na resistência contra a ditadura no Brasil.

No Quartel também foi prisioneiro e torturado o Sargento Manoel Raimundo Soares, que há 46 anos, no dia 24 de agosto, foi encontrado morto com as mãos e os pés amarrados às costas, perto da Ilha das Flores, no Rio Jacuí. Raimundo tinha fortes sinais das sevícias sofridas durante o período em que também esteve detido no DOPS e na Ilha do Presídio.

O caso das “Mãos Amarradas” – como ficou conhecido – até hoje suscita debates, publicações e denúncias, bem como motivou a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia gaúcha, em agosto de 1966, para averiguar as circunstâncias da morte de Soares e o tratamento dispensado aos demais presos políticos.

Outro preso político na PE foi o Coronel da Força Aérea Brasileira, Alfredo Ribeiro Daudt, que na Campanha da Legalidade, em 1961, iniciou uma trajetória que lhe renderia anos depois a prisão, torturas e um longo exílio no Uruguai. Para evitar o bombardeio do Palácio Piratini, onde se encontrava o então governador Leonel Brizola, Daudt liderou, entre outros, um grupo de oficiais para esvaziar os pneus das aeronaves que estavam prontas para decolar da Base Aérea de Canoas.

No mês de dezembro de 1964, o Coronel Daudt teve a fuga deliberadamente facilitada pelo Capitão Lamarca que cumpria serviço escalado como oficial-de-dia na PE. As desconfianças e investigações sobre a “estranha fuga” levaram o Capitão a solicitar transferência para o quartel do 4º Regimento de Infantaria (4ºRI), em Quitaúna/SP. Em 1969, após desertar do Exército e ingressar na clandestinidade, Carlos Lamarca passou a ser perseguido pelos agentes da ditadura, até o seu assassinato, no dia 19 de setembro de 1971, no sertão da Bahia.

O ato no dia 28 de agosto deverá lembrar que há 33 anos João Batista Figueiredo sancionou a Lei da Anistia, ato inserido no processo de abertura política “lenta, gradual e segura”, iniciada no governo do general Ernesto Geisel.

Em um novo manifesto, o Comitê ressalta que a luta da esquerda foi pela anistia “ampla, geral e irrestrita”, e que a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, atendeu uma pequena parte do apelo nacional, pois se apresenta como uma proposta de reconciliação e esquecimento das violações cometidas durante os 21 anos de ditadura no Brasil.

O Comitê destaca que em 2008 o judiciário brasileiro reafirmou a validade da Lei da Anistia, ato considerado pelos seus membros como um reforço à impunidade dos agentes da ditadura e que mascara a verdade ao igualar torturados e torturadores. Neste sentido o órgão defende a necessidade da organização e pressão da sociedade para que a Lei seja revista.

3 Comentários on “Comitê Popular realiza ato em frente ao antigo quartel da Polícia do Exército”

  1. #1 carmen lopes
    on Aug 25th, 2012 at 9:19 pm

    Estamos, com certezar, por estas atitudes, buscando consolidar a nossa democracia

  2. #2 Leandro Rodrigues
    on Aug 26th, 2012 at 2:04 pm

    Sobre o Caso das Mão Amarradas, há um relato no jornal Tabaré desse mês, por Marcus Pereira. Vale a pena ler. Se mora longe de Porto Alegre e/ou não consegue o impresso em papel, em breve leia online em http://www.tabare.net/edicoes-anteriores

  3. #3 Nixon Vieira Malveira
    on Aug 28th, 2012 at 3:02 pm

    Nixon Malveira No colégio militar de POA. a placa da turma de formatura do futuro aspirante da AMAN carlos Lamarca, teve seu nome lacrado com uma tarja e a mesma foi retirada recentemente da parede. Acredito que pode ser para refundir uma nova placa de bronze, desta vez sem o nome do capitão. Posso estar equivocado, mas não achei aplaca lá onde deveria estar em minha última visita ao colégio no ano passado. Vi que a turma dele, com o nome dele sendo pulado por terem acrescentado um atarja metálica sobre o nome carlos, mas isto foi em 2004. Isto é uma denúncia que faço e o comitê deve apurar. Lamarca quando estudou aqui em POA, não era o capitão da guerrilha, era um jovem idealista que daqui saí para a AMAN. Tudo o que fez no Colégio da várzea deve ser respeitado, inclusive seus boletins. Uma censura histórica que não tem cabimento e isto sim é revanchismo. Querer esconder ou deturpar a História Real.

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