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Estamos vivendo no cartão de crédito ecológico

Desde o dia 22 de agosto deste ano, entramos no cartão de crédito ecológico. Isso quer dizer que, nos primeiros oito meses do ano, os seres humanos consumiram a totalidade dos recursos que a terra é capaz de produzir ao longo de um ano. Gastamos tudo e agora, para enfrentar o resto do ano, vamos afundar o pé no crédito. No dia 22 de agosto, alcançamos o que a organização Global Footprint Network (GFN), sediada em Genebra, denomina de « Global Overshoot Day », ou « Dia do Excesso Global ». Em 2012, o « Global Overshoot Day », que é medido desde 2003, foi alcançado 36 dias antes do que ocorreu em 2011. Desde que o índice é medido, aponta a GFN, os recursos do planeta vêm sendo consumidos cada vez com maior rapidez.

Para definir esse índice a organização utiliza a medida do hectare global (hag), mediante o qual compara a biocapacidade do planeta com o consumo de cada país. A situação hoje é a seguinte : para manter o padrão de consumo atual precisaríamos de meio planeta suplementar. Entre os anos 60 e hoje, os recursos planetários caíram pela metade, enquanto o consumo disparou. Segundo a Global Footprint Network, os Estados Unidos e o Brasil alcançaram antes dos demais países o dia do excesso, em 26 de março e 6 de julho respectivamente. Se todo o planeta necessitar dos recursos consumidos pelos Estados Unidos e pelo Brasil seria necessário mais 4,16 e 1,9 planetas para satisfazer a demanda.

Os principais responsáveis pelo déficit são as emanações de dióxido de carbono, as mudasnças climáticas decorrentes delas e a exploração dos recursos naturais. As implicações são dramáticas : diminuição das florestas, perda de espécies, colapso da pesca, aumento dos preços dos alimentos básicos : « as crises ambientais e a crise financeira que estamos enfrentando são os sintomas de uma catástrofe iminente. A humanidade está simplesmente usando mais do que o planeta pode prover », diz a Global Footprint Network .

O informe deste ano aponta que, entre 1970 e 2008, a biodiversidade planetária caiu cerca de 30%. A cada ano desaparecem 0,01% das espécies e o déficit ecológico vem crescendo de maneira exponencial há 50 anos. Diante da inércia dos governos e das entidades internacionais diante desse quadro de destruição ambiental, o coordenador da GFN, Mathis Wackernagel, acredita que a natureza vai acabar se encarregando de « resolver o problema : « a recuperação só poderá ter êxito se for acompanhada de reduções sistemáricas de nossa demanda de recursos e serviços ao ecossistema . Se isso não ocorrer, o desastre se encarregará de fazê-lo ».

6 Comentários on “Estamos vivendo no cartão de crédito ecológico”

  1. #1 Maria
    on Aug 27th, 2012 at 6:02 pm

    Marco não faltam estudos e alertas para perceber o quanto estamos deteriorando os recursos naturais do planeta.Estamos mergulhados em lixo por todos os lados e nossa água (já escassa) está com a qualidade cada vez pior e os maiores usuários (arrozeiros, por exemplo) não pagam mais pelo seu uso.Estou me referindo a situação local pois nem ouso fazer comparativos com outras realidades.Apesar disso,estamos retrocedendo nas discussões do uso ambiental de nossos recursos como acontece com o código florestal.Os governos se mostram ineptos para mudanças de rumo a curto, médio ou longo prazos desta situação insustentável. Não existe representação no Legislativo que esteja atento à estas demandas.O que esperar?

  2. #2 Teresinha Carpes 13
    on Aug 27th, 2012 at 10:56 pm

    Quero avisar aos candidatos petistas,que o jornalista Milton Cardoso da Rádio Bandeirantes,estão cometendo crime Eleitoral êle e seus convidados,inclusive citando nomes de candidatos,como por ex:Bordignon e os convidados dele estão dizendo que Bordignon teria cometido crime eleitoral!!!!Abre os olhos e ouvidos petistas!!!!!

  3. #3 Ary
    on Aug 28th, 2012 at 11:19 am

    Por falar nisso, se pensarmos um pouco, chegaremos à conclusão de que a verdadeira arma de destruição em massa se chama Cartão de Crédito. E a Natureza não faz empréstimos de curto prazo.

  4. #4 Nelson
    on Aug 28th, 2012 at 7:09 pm

    “Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante”.

    Sempre que leio sobre os excessos, cada vez mais excessivos – no caso da devastação ambiental, creio que não estou abusando da redundância – cometidos contra a natureza, e nossa qualidade de vida futura, por consequência, lembro do verso acima, da canção “Teatro dos Vampiros”, do Renato Russo.

  5. #5 Nelson
    on Aug 28th, 2012 at 7:22 pm

    Se os “governos se mostram ineptos” e o Legislativo não está “atento” às “demandas” pela preservação do meio ambiente, cabe, então, ao povo se unir, se organizar e partir para a pressão, sem tréguas, para que as mudanças necessárias aconteçam com a maior celeridade possível, Maria.

    Infelizmente, pelo que vejo, as pessoas, em sua maioria, só pensam em si mesmas, estão preocupadas só em engordar seus lucros e suas contas bancárias e em encher seus bolsos com mais dinheiro. Seu mundo se restringe ao entorno de seus umbigos ou vai, no máximo, até a porta de seus apartamentos ou o portão de suas casas. Não se consideram responsáveis pelo que acontece para além desses limites.

    É o individualismo exacerbado que, nestes tempos neoliberais, é insuflado à exaustão na cabeça de cada um de nós por meio do monumental aparato de propaganda do sistema.

    Será que terá alguma valia andar com a “guaiaca cheia” a contemplar rios e mares apodrecidos, florestas devastadas, asfalto e concreto por todo o lado, bebendo água e comendo alimentos sintéticos, insípidos? Enfim, valerá a pena viver um mundo totalmente sem graça mesmo que com os bolsos cheios de dinheiro?

    Parece que as pessoas não se dão conta de que é para um mundo assim que estamos rumando. Tenho a impressão, às vezes, de que sabem e não estão nem aí.

  6. #6 Maria
    on Aug 29th, 2012 at 9:44 am

    Nelson acho que tu fostes muito feliz na tua análise: o pior realmente é a indiferença vestida de individualismo, frente a uma realidade que agride nosso futuro e é solenemente ignorada.Como um Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, só que permanente e metido a modernoso com toda uma parafernália eletrônica para entreter e amortizar vidas mais dependentes do consumo.
    Esse tema não traz votos nem entra na agenda diária de políticos , exceto quando suas bases são atingidas (eufemismo para cometeram irregularidades e descumpriram a legislação), nem na da grande mídia e nem da população, mas preocupada com o final da novela. Afinal não é à toa que ficamos subjugados quase trinta anos por um ditadura besta.

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