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Resposta de Raul Pont à Página 10, de ZH

O deputado estadual e presidente do PT-RS, Raul Pont, enviou a seguinte resposta à coluna Página 10, do jornal Zero Hora, a propósito da nota intitulada “A esquerda constrangida”, publicada na edição desta segunda-feira:

A ZH, em sua Página 10, continua sua política de parcialidade e mentira no trato de temas já conhecidos, explicados à exaustão. O que importa não é a verdade, a informação correta para os leitores, mas o viés ideológico, a crítica política mesmo sem sustentação fática. A “esquerda constrangida” deve ser respondida com outro título: “a imprensa mentirosa”. Vamos aos fatos:

1º) a Lei do Piso é do governo Lula, portanto, de um governo do PT, de esquerda, discutido com as centrais sindicais do magistério. Portanto, não há nenhum constrangimento.

2º) O projeto original tinha como elemento de correção monetário o INPC, isto é, um índice que mede a inflação, conhecido, previsível e aceito em negociações salariais, sem prejuízo de ganhos reais negociados.

3º) O Congresso, a partir de uma emenda do Senado, substituiu o INPC por um indexador que não mede a inflação, não existe em negociação sindical ou para qualquer outro fim de estabelecer correção monetária.

4º) Imediatamente após a sanção, o governo Lula enviou um projeto de Lei corrigindo o ato legislativo pelo que constava no projeto original: o INPC. Até hoje o projeto de correção do índice não foi votado pelo Plenário da Câmara, apesar de aprovado nas comissões.

5º) O critério estabelecido pelo Congresso não é um índice de inflação, mas um critério com base em custos de aluno na 1ª série do ensino fundamental e os recursos que a União destina ao FUNDEB, que tendem a ser crescentes. Isso torna a lei impraticável pelos Estados e municípios, pois enquanto a inflação tem sido em torno de 5% ou 6% ao ano e o crescimento real das finanças públicas não é superior a 2,5% ou 3% ao ano, como se pode reajustar ANUALMENTE os salários da maior categoria dos Estados e municípios em mais de 20% ao ano? Ou seja, é uma total irresponsabilidade do Congresso estabelecer um indicador que não mede a inflação, não é previsível e crescente para que os Estados e Municípios paguem!

6º) Os Estados que se propuseram a “cumprir” a lei simplesmente modificaram os planos de carreira achatando o teto e tornando o piso um valor de início e fim de carreira em evidente prejuízo aos professores.

7º) O governo Tarso apresentou proposta ao magistério que já permitiu considerável recuperação das perdas anteriores (Rigotto e Yeda). Até 2014, considerando que a inflação permaneça no patamar atual, o ganho real dos salários dos professores será superior a 40%. O plano de carreira foi mantido integralmente e é defendido pelo governo como forma de avanço ao longo da carreira, numa política de valorização do magistério. Através de um termo de ajustamento proposto pelo Ministério Público e aceito na Justiça, o governo garantiu, por complementação, que TODOS os professores recebam hoje o PISO NACIONAL no Rio Grande do Sul, enquanto se discute na Justiça ou se corrige o indicador no Congresso.

8º) A ação de inconstitucionalidade não é nova, nem busca “judicialização” da questão salarial. O governo, simplesmente, tem que organizar seu Orçamento, prever sua receita, fixar suas despesas e não pode ficar à mercê de um corretor inflacionário que não mede a inflação, mas trabalha com uma “variação” superior a 20% ao ano, o que inviabiliza qualquer cumprimento do piso e o transforma em lei impraticável, com evidente prejuízo aos professores.

Essa é a realidade dos fatos e números, e não as “interpretações” facciosas de ZH. Se os (as) professores (as) não compreenderem isso e se acharem vítimas de “governos” e “políticos” que são todos “iguais”, estarão perdendo um momento essencial para a defesa de seus interesses imediatos e de um governo que tem lado e um projeto para a Educação e o país.

Saudações,
Raul Pont
Deputado estadual e presidente do PT/RS

16 Comentários on “Resposta de Raul Pont à Página 10, de ZH”

  1. #1 Ary
    on Sep 17th, 2012 at 8:35 pm

    Boa, professor Raul! Essa foi no cravo. Se a colunista não se mexer, a próxima será na ferradura.

  2. #2 Eugênio
    on Sep 17th, 2012 at 8:38 pm

    Se a ZH é mentirosa como diz o Raul e é mesmo, todos nós sabemos, o governo do estado precisa cortar as verbas publicitária para essa empresa. Não se pode fazer mau uso do dinheiro público financiando a mentira da imprensa empresa.

  3. #3 Marilda
    on Sep 17th, 2012 at 11:24 pm

    Por que o Lula não vetou a mudança da forma de reajuste?
    Havia pressa na sanção?

  4. #4 sonia
    on Sep 18th, 2012 at 9:52 am

    Realmente, os professores não compreendem nada Sr. Pont. Os professores não compreendem que seu governo paga o piso na íntegra, que seu governo prioriza a educação por entender o atual indice muito alto, ja que os procuradores, CCs, e outros ficaram em 45 e 180% de reajuste. Realmente somos uma cambada de burros.

  5. #5 claudio CALMO
    on Sep 18th, 2012 at 10:59 am

    Concordo com o Eugênio, quem financia a baixaria também é responsável. A distribuição das verbas públicas de publicidade ainda segue a mesma lógica dos governos anteriores de Yeda e Rigotto. Em 2011 do baixo valor investido em internet, 60% foi para as plataformas do grupo PRBS. Isto não é isonomia na distribuição das verbas de publicidade, prometida durante a campanha eleitoral.

  6. #6 gerson
    on Sep 18th, 2012 at 11:45 am

    Jornalismo de má qualidade dá nisso. Dá-lhe Raul!

  7. #7 Maria
    on Sep 18th, 2012 at 11:55 am

    Marco, acho que seria interessante a Secretaria da Comunicação do especificar o quanto o governo do Tarso Genro investe em publicidade.
    Como distribui a verba para a mídia no Estado?.Sei que no governo Olívio havia uma preocupação muito grande em apoioar os jornais do interior do Estado. Isso prossegue?

  8. #8 Sérgio González
    on Sep 18th, 2012 at 2:15 pm

    Alguns professores que me perdoem, mas defender este plano de carreira ultrapassado é sim, burrice. Defendo o pagamento do piso nacional, mas com um novo plano de carreira. Às favas as trevas!

  9. #9 Paulo
    on Sep 18th, 2012 at 2:57 pm

    Se tivéssemos uma lei de imprensa decente, o direito de resposta, publicado no mesmo espaco de ZH, seria a coisa mais normal do mundo. Assim temos que nos contentar com o sempre bom texto do RAUL PONT publicado apenas em blogs, enquanto estes nao forem censurados.

  10. #10 Carlos Eduardo da Maia
    on Sep 18th, 2012 at 4:35 pm

    O problema não é esse, o CPERS insiste em querer manter o status quo de um plano de carreira da época do governo Amaral de Souza. Impossível fazer uma educação do século XXI com plano de carreira da década de 70.

  11. #11 Madalena
    on Sep 18th, 2012 at 10:14 pm

    O Tarso explica, o Raul explica, mas continuo sem entender. É provável que eu faça parte de uma cambada de burros. Não entendo porque, se tudo estava indo tão bem, crescimento econômico no Brasil e tal, a coisa tinha que estrangular justamente na educação. Até onde lembro, o plano de carreira dos professores estaduais está baseado na titulação, na educação formal. Por que estaria ele ultrapassado e deveria ser desconsiderado?

  12. #12 Sérgio González
    on Sep 19th, 2012 at 10:38 am

    Ora Madalena, percebe-se que este plano de carreira perdeu sentido quando a esmagadora maioria dos professores que hoje ingressam na carreira são classificados nos níveis 5 e 6, pois possuem título superior. O último nível deveria ser atribuído a quem está no final da carreira e com títulos em nível de pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado), além do acúmulo em prática profissional.

  13. #13 Elisabete Otero
    on Sep 19th, 2012 at 12:10 pm

    Cada vez que o Raul se manifesta publicamente mais me convenço de sua grande qualidade política. Parabens, Raul.

  14. #14 Haroldo
    on Sep 19th, 2012 at 12:12 pm

    Que bonito de ver, agora, magicamente, todo mundo acha o plano de carreira “ultrapassado”. Pessoal muda de opinião rápido, hein? Até pouco tempo atrás essa era uma ideia diabólica da maquiavélica Yeda.

  15. #15 flavio cunha
    on Sep 19th, 2012 at 9:24 pm

    O plano é ultrapassado e nenhum estado paga sem ter modificado esses planos, acordem professores! Hoje existe negociação, pode não ser o salário ideal, e não é, porém, seria melhor levar porrada da BM e ainda assim não receber nada? Cuidado com certas lideranças que mais parecem adolescentes fazendo política estudantil.

  16. #16 Jorge Nogueira
    on Sep 19th, 2012 at 10:22 pm

    1) Quando, na campanha de 2010, o Tarso prometeu o piso, em debate no CPERS, ele não disse nada que teria que mudar o índice de reajuste.
    http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2012/01/tarso-prometendo-o-piso-dos-professores.html

    2) Dada a proposta do governo estadual, ainda que fosse o INPC o índice de correção, o piso não seria atingido, nem no final do mandato.

    3) Ao que parece a Rosane de Oliveira já se redimiu. No último texto do seu blog ela utiliza a queda do PIB do Estado para justificar o não pagamento do piso. Claro que ela não fala nada sobre as isenções ao grande capital que afetam as finanças do Estado e que vem sendo aprofundadas pelo atual governo.
    http://wp.clicrbs.com.br/rosanedeoliveira/?topo=13,1,1,,,13

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