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Leis, salsichas e agrotóxicos

É atribuída a Otto von Bismarck, primeiro chanceler do império alemão, a frase: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis”. Essa máxima ganhou atualidade hoje com a entrevista do deputado estadual Ronaldo Santini (PTB) à rádio Gaúcha sobre o projeto que propõe a flexibilização do uso de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. Diante da forte reação contra seu projeto, Santini admitiu que “não conhece tecnicamente a matéria”, que não entende nada de agrotóxicos e que vai retirar o projeto de lei. Santini disse ainda que apresentou o projeto a pedido de dois deputados federais: Renato Molling (PP) e Paulo Pimenta (PT).

Se não fosse a mobilização das entidades ambientalistas, de promotores do Ministério Público e dos deputados da bancada do PT na Assembleia, um parlamentar que “não entende nada de agrotóxicos” poderia ter aprovado um projeto com graves repercussões no âmbito da saúde pública. Não custa perguntar: há outras leis sendo encaminhadas e votadas nessas mesmas condições?

Mesmo com o anúncio da retirada, as entidades ambientalistas permanecem vigilantes, pois há um outro projeto de Lei, o PL 20/2012, de autoria do deputado Gilmar Sossella (PDT) e de mais 32 deputados, que “dispõe sobre a comercialização e o armazenamento de agroquímicos, seus componentes e afins”.

PS.: O deputado Santini, que não entende nada de agrotóxicos e mesmo assim queria “flexibilizar” seu uso no Estado, é autor do projeto que institui o Dia Estadual de Educação Ambiental (já aprovado) e do Projeto de Lei 156/2011 (ainda em tramitação), que dispõe sobre a inclusão da temática “Educação Ambiental” no conteúdo programático das escolas estaduais de ensino fundamental e médio do Estado. Na justificativa dos projetos, o parlamentar manifesta preocupação com o “legado que vamos deixar para nossos filhos”.

27 Comentários on “Leis, salsichas e agrotóxicos”

  1. #1 Maria
    on Sep 24th, 2012 at 6:01 pm

    Marco não se o que é pior: o deputado passar o recibo de ignorante ou dizer que serve de escada para os outros, tão mal intencionados quanto.Coisa mais deprimente verificar
    que parlamenteto gaúcho está tomado por este tipo de gente.

  2. #2 Zé Bronquinha
    on Sep 24th, 2012 at 6:59 pm

    O deoutado Henrique Fontana do PT parece estar sozinha na sua proposta de substituir da lei eleitoral o financiamento privado pelo público exclusivo. Sé isso livraria alguns políticos de se tornarem clientes e servos da Celulose RioGrandense, Stora Enzo, Monsanto e tantas outras empresas que trabalham contra a vida.

  3. #3 Rafael
    on Sep 24th, 2012 at 9:52 pm

    O que esperar de um deputado que posa com uma cuia na mão?

  4. #4 Mariah
    on Sep 24th, 2012 at 11:18 pm

    Um deputado a serviço do agronegócio. Quanto ao Paulo Pimenta, ele devia se transferir para o PP. Lá é o lugar dele.

  5. #5 Nelson
    on Sep 25th, 2012 at 11:56 am

    A pedido do deputado Paulo Pimenta? Quem diria!
    As notícias ruins vão se acumulando; uma ora é o afrouxamento com relação ao Código Florestal, outra hora é a privatização da Embrapa. Agora, depois da enxurrada de privatizações de rodovias, ferrovias, aeroportos, a abertura à dispersão de mais venenos sobre nossas lavouras. Como se fosse pouca a quantidade que já é dispersada.
    Infelizmente, as decepções com o PT só fazem crescer.
    De outra parte, parece que passa a valer, então, aquele dito popular que diz que “Pimenta, ou melhor, agrotóxicos, no dos outros é refresco”.

  6. #6 gerson
    on Sep 25th, 2012 at 12:05 pm

    Esta é a gênese do descalabro das leis no Brasil: gente que não é da área leva a proposta, os bastidores e o toma lá da cá acabam aprovando, passam anos para regulamentar e aí vêm dizer que as leis não pegam no Brasil.

  7. #7 Maria
    on Sep 25th, 2012 at 12:37 pm

    Marco, mais uma vez parabéns pelo teu feeling e pelo blog que deu espaço há mais de uma semana para esta discussão logo que o assunto começou a circular. Se manifestaram as ONGs, ambientalistas, Ministério Público e partidos políticos, entre outros.
    Mérito das redes sociais que reverteram a proposta do deputado trapalhão e bobão, embora hoje o André Machado tenha afirmado que um comentário feito ontem no programa dele na Gaúda tenha gerado uma grande movimentação contra o projeto.Acho que sim ajudou e muito, mas eles pegaram o bonde andando e em alta velocidade…

  8. #8 Aldo M.
    on Sep 25th, 2012 at 4:36 pm

    Quanto ao comentário da Maria, há um ditado árabe que diz: A ignorância é vizinha da maldade.

  9. #9 pampas74
    on Sep 25th, 2012 at 9:34 pm

    Nelson,
    Não podemos esquecer do Pimenta defendendo os transgênico, como a solução da lavoura!
    Eu me prestei para assistir uma apresentação dessa criatura….

  10. #10 sergio luiz buchmann
    on Sep 25th, 2012 at 11:52 pm

    O Deputado ‘passou recibo’ e confessou, com pesado custo político pessoal, que o projeto não era de sua autoria [sequer o lera!!!], mas de 2 deputados federais/RS (a serviço de quem???).

    Que isso tenha servido de lição. Terá que lutar – e muito – para a retomada da sua dignidade política, que restou gravemente ferida.

    Demonstrou, apesar do ‘mico’ cometido,
    grandeza ao anunciar a retirada do abjeto projeto-de-lei que antes propusera.

    Embora o malfadado PL não tivesse (aparentemente) revestimento de inconstitucionalidade, a sua eventual aprovação nos levaria a mais um passo do abismo que nós mesmos inconsequentemente outrora cavamos.

  11. #11 Marcelo
    on Sep 26th, 2012 at 10:36 am

    Gostaria de opinião de alguém que conhece a parte técnica.

    Temos que pensar com a razão, não com idealogias.

  12. #12 Aloisio
    on Sep 26th, 2012 at 10:51 am

    Julgo que é importante ressaltar a opinião técnica ao tratar dos assuntos.
    No nível tecnológico que se encontra a agricultura nos dias de hoje, a proibição de alguns produtos pode ser muito prejudicial ao setor produtivo.

    Sabe-se que todos os agrotóxicos causam danos ao meio ambiente, mas que sem a sua correta utilização não é possível obter produtividade no campo, e as atividades se tornam inviáveis.

    Gostaria de propor ao autor deste excelente blog, que trouxesse a opinião de quem defende a proibição dos agrotóxicos em questão, e de quem julga importante a utilização desses produtos na agricultura.

    Simplesmente banir os produtos é fácil, seria necessário antes propor alternativas viáveis de substituição desses produtos os setor produtivo antes de qualquer proibição.

  13. #13 Mariah
    on Sep 26th, 2012 at 8:49 pm

    Marcelo, te recomendo o livro As Sementes do Mal do Dr. Antonio Andreolli. O livro é o resultado de vários anos de pesquisa que resultou em sua tese de doutorado na Alemanha. Vale a pena ler.

  14. #14 Jeferson
    on Sep 26th, 2012 at 10:06 pm

    Mas era só o que me faltava. Marcelo e Aloísio querendo ouvir a opinião de quem defende o uso de agrotóxico. Entrem no site da Monsanto e se esbaldem.

  15. #15 Juarez
    on Sep 27th, 2012 at 10:32 am

    Não precisa uma opinião técnica. Basta bom senso. Basta saber que a lei permitiria uso de produtos agrícolas proibidos no seu país de origem. O RS seria oficialmente o aterro sanitário no qual as indústrias químicas despejariam seu lixo proibido em outros países. O lema dessa gente é “o que é ruim para os outros é bom para o RS”.

  16. #16 zé saci
    on Sep 27th, 2012 at 7:38 pm

    pior do que um rastaquera desse, só quem o elege, e assim la nave va, a cada legislatura o nível baixa mais e mais. sujeitos como essa coisa aí já devem representar mais de 90% do parlamento guasca. lamentável. pobre rs.

  17. #17 Aloisio
    on Sep 28th, 2012 at 11:07 am

    Jeferson, tenho pavor de pessoas politicamente inflexíveis e com opiniões radicais. Eu não defendo o uso de agrotóxico, mas penso no sucesso da atividade agrícola do nosso estado depende de práticas refinadas de utilização dos insumos agrícolas. E ainda, para mim a Monsanto contribui para o desenvolvimento de tecnologias boas, e outras menos boas. É muito fácil criticar uso de agrotóxico sem conhecer a realidade dos agricultores e da agricultura atual.
    Juarez, te pergunto, tu conhece a realidade da agricultura dos países europeus, e quais os produtos agrotóxicos que eles utilizam lá?
    Bom senso é legal, mas porque acima do Rio Uruguai pode ser diferente?
    Se é ruim pra um, que seja ruim para todos!
    Eu acredito sim, que todo o agrotóxico sem a utilização correta faz mal pra saúde dos homens e para o meio ambiente.
    Seria tão bom para o agricultor poder produzir e sobreviver sem precisar gastar um centavo com veneno.
    Pra quem mora na cidade tudo é fácil e bonito.
    Acredito que esses assuntos precisam ser bem discutidos e que as decisões devem ser tomadas por pessoas com competência técnica e não a base do achismo.

  18. #18 Marcelo
    on Sep 28th, 2012 at 11:27 am

    A todos os que acham que a opinião técnica não é necessária segue as perguntas:

    - Como alimentar mais de 6 bilhões de pessoas no mundo?
    - Como aumentar a disponibilidade de alimento coma aumento da população e sem aumantar a área de cultivo (sem destruir florestas)?

    Sem tecnologia?

    Se voces tem estas respostas, voces precisam ser urgentemente apresent-las aos nossos representantes.
    Voces tem a solução simplesmente para a “FOME”.

  19. #19 Ary
    on Sep 28th, 2012 at 12:56 pm

    A questão alimentar (tecnologia, modo de produção, ocupação do solo, etc.) é ideológica, sim.

  20. #20 gerson
    on Sep 28th, 2012 at 1:51 pm

    Ponderando as opiniões aqui explicitadas dá para afirmar com certeza que flexibilizar o uso de biocidas na agricultura não é a melhor solução para aumentar a produtividade no campo. Os métodos de atuação utilizados pelas megacorporações tipo Monsanto para registro e liberação de produtos dão calafrios. Se estas empresas interferem no trabalho de uma FDA imaginem o que fazem por aqui.

  21. #21 Marcelo
    on Sep 28th, 2012 at 3:41 pm

    Gerson

    Ponderando seu comentário, não concordo com voce.

    Temos que ser eficientes na utilização dos recursos disponíveis (área, energia, etc).

    Isso só é possível com tecnologia. Tecnologia não cai do céu. Alguém precisa investir, estudar, avaliar, etc…
    Se a Monsanto, ou quem quer que seja, descobriu, deve ser recompensada por isso.

    E tem responsáveis para aprovar ou não as tecnologias.

  22. #22 gerson
    on Sep 28th, 2012 at 5:00 pm

    É aí que mora o perigo! As pessoas responsáveis pela aprovação. Veja o exemplo do Deputado que pegou o bonde andando e não entendia bulhufas do assunto. Quando chega nas instâncias de fiscalização e controle o que fala mais alto é o poder econômico.

  23. #23 Maria
    on Sep 28th, 2012 at 5:34 pm

    Não creio que seja apenas uma questão de tecnlogia e fiscalização: a utilização de agrotóxicos tem que ter um compromisso com a sociedade e com o meio ambiente.São indissociáveis.Mas nem sempre funciona assim.Há poucos meses a PF e o Ibama realizaram uma operação de fiscalização em Livramento e apreenderam toneladas de agrotóxicos made in china contrabandeado do Uruguai.Muitos produtores envolvidos e estou falando de centenas (teve até avião apreendido) preferem utilizar nas suas lavouras de arroz e soja, produtos químicos sem procedência, muitas vezes banidos,arriscando suas vida, de seus empregados, as nossas, contaminando o lençol freático, matando fauna e flora, para pagar menos e ter mais lucro.Não é só questão de tecnologia não!

  24. #24 Nelson
    on Sep 28th, 2012 at 5:51 pm

    Estudos como o publicado no sítio do Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br/falatorio/milho-transgenico-tratado-com-herbicida-aumenta-incidencia-de-cancer-em-ratos.html) que dão conta dos grandes malefícios que as “tecnologias boas” podem trazer ao ser humano são, obviamente, pouco divulgados pelos órgãos da mídia hegemônica.
    Como concessões públicas, esses órgãos deveriam atuar ofecerecendo todas as informações importantes para o bem estar da população. Não é o que acontece; prevalece o interesse nas verbas publicitárias e também o corporativismo de classe. Como grandes empresas que são, o que defendem os órgãos da mídia hegemônica é o interesse de suas congêneres; o povo “que vá lamber sabão”.
    Assim, não consigo entender a fissuração pela tecnologia demonstrada por alguns comentaristas neste sítio. Como se a tecnologia fosse totalmente isenta, imparcial e fosse implantada com profundo espírito altruístico. Então, os agrotóxicos têm, sim, que ser combatidos.
    É, sim, urgente, que a sociedade reaja e comece a discutir a qualidade dos alimentos que vêm a sua mesa. A necessidade de alimentar uma imensidão de seres humanos não deve ser aceita, em hipótese alguma, como justificativa para que deixemos nas mãos de umas poucas “tiranias privadas”, como bem define as mega corporações o linguista Noam Chomsky, a tarefa de decidir o que vai ser servido em nossos pratos e com que qualidade esses alimentos chegarão até os nossos estômagos.

  25. #25 Marcelo
    on Sep 28th, 2012 at 11:42 pm

    Nelson, entendo sua opiniao.

    Entendo que voce pense em qualidade de produtos.

    Voce quer qualidade, pague mais caro, coma organicos.

    Voce sabe porque organicos sao mais caros?

    Acredito que voce nao sabe o que acontece em uma área de producao de alimentos.

    Voce deve achar que nada interfere nos cultivos.

    Voce deve achar que as verduras nascem no mercado, o leite na caixinha, o feijao no saco etc…

    Tudo limpinho, nada apodrece, nao tem pragas, nao tem doencas,etc…

    Sem tecnologias para protecao de cultivos, as perdas nas áreas de produçao podem chegar a mais 80%.

    Te recomendo os videos:

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=aoiP-WK3V8o

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=FfV3cXnhuxE#!

    Pensa no futuro.
    As pessoas estao vivendo mais.
    Mais pessoas estao nascendo.

    Temos que produzir mais sem aumentar áreas (sem devastar florestas).
    Isso sim é uma causa pela qual lutar.

  26. #26 Severo Arcanjo
    on Sep 30th, 2012 at 10:43 pm

    Olha só, o pessoal da FETAG, a federação mais pelega do Rio Grande, correia de transmissão da Farsul, se manifestando por aqui. Por um lado, me deixa feliz, porque já está conseguem ler, interpretar e ainda por cima participar de uma discussão. O que pode significar que deixaram de ser os zumbis do atraso disfarçado de modernidade, onde se inscrevem os transgênicos, a silvicultura e o esgaçamento da lei em prol de uma “produtividade” – que segundo os técnicos, senhores, está em queda há um bom tempo, graças às opções desastrosas defendidas pelos senhores.

    Por outro lado, tal manifestação que separa técnica de política, usa ideologia como acusação, como se o Ruralismo não fosse ideológico e as pessoas fossem estúpidas.

    Sinto muito senhores, esse discurso não cola. O bioma pampa está cada vez pior, graças ao modelo agrícola defendido pelos senhores, que se resume a entregar o solo e a saúde da população para grandes conglomerados multinacionais. Eu gostaria de recomendar fortemente, que os senhores fizessem uso do financiamento público de suas dívidas – que todos os anos nós contribuintes arcamos – e mais do que gastar em grandes pick ups, os senhores retirem-se permanentemente do país. A presença dos senhores por aqui, longe de trazer comida para a mesa da população, a está matando.

  27. #27 Marcelo
    on Oct 2nd, 2012 at 7:49 am

    Discurso sobre produção alimento não cola?

    Pergunto:
    Voce é de outro planeta?
    Produz em sua casa tudo que consome?
    Voce tem alguma fórmula mágica que permita viver sem alimentos?

    Se suas repostas forem “Sim”, vá conversar com a Dilma, ensina ao Brasil como fazer.
    Se for “Não”, ao encontrar um agricultor, experimente dizer obrigado.

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