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Correio do Povo: Ex-secretários de Fortunati têm maiores doações de construtoras e imobiliárias

Por Paulo Muzell

Desde que foi elaborado e aprovado o primeiro Plano Diretor (Lei 2.330, de 1959) de Porto Alegre nenhum governo municipal foi tão “generoso e compreensivo” com os interesses da indústria da construção civil na cidade. Em mais de uma dezena de artigos, neste mesmo espaço, detalhamos os inúmeros episódios que resultaram na “destruição” do planejamento urbano de Porto Alegre através da aprovação de leis criando regimes urbanísticos “especiais”, aumentando alturas, taxas de ocupação, índices de aproveitamento e tornando zoneamentos de uso mais “permissivos”. Em nome do “progresso”, do “desenvolvimento”, o governo Fo-Fo (Fogaça-Fortunati) concedeu um sem número de vantagens e “benesses” sem que fossem, também, exigidas as necessárias contrapartidas – investimento privados em obras viárias ou outras, mitigadoras dos efeitos nocivos ao meio ambiente ou à vida no entorno que decorrem da realização de grandes empreendimentos. A implantação da Arena tricolor é um exemplo bem ilustrativo.

A extrema receptividade às iniciativas do setor empresarial, a rapidez com que encaminha suas demandas, sem “filtro crítico” ou, pelo menos um olhar mais atento é, sem qualquer dúvida, uma marca registrada do governo Fo-Fo.

Nesta final reta da campanha, um levantamento da origem dos recursos que estão dando suporte às campanhas proporcionais (de vereadores), feito pelo jornal Correio do Povo (página 6), informa que os ex-secretários municipais Márcio Bins Ely (PDT), Cássio Trogildo (PTB) e Valter Nagelstein (PMDB) foram os mais bem aquinhoados com doações das construtoras e empresas imobiliárias da cidade. Bins Ely há poucos meses deixou o cargo de Secretário do Planejamento Municipal e voltou à Câmara para concorrer à reeleição. Ele era um nome chave nos debates do Plano Diretor. Cássio Trogildo foi o ex-Secretário de Obras, num ano de assinatura de inúmeros e grandes contratos de obras da Copa. E Valter Nagelstein, também vereador, foi secretário da SMIC, órgão que licencia a fiscaliza a atividade econômica na cidade. A lista dos doadores é longa: Melnick Empreendimentos, Alcea Empreendimentos Imobiliários, Bolognesi Empreendimentos, Incorporadora Zaffari, Bourbon Empreendimentos Imobiliários, Beralv Participações, Rotta Ely Construções, são apenas algumas das inúmeras empresas que financiam os três candidatos.

Entrevistado pelo Correio do Povo, o promotor Rodrigo López Zílio afirmou que a atual legislação eleitoral não inclui nas fontes vedadas de financiamento de campanha as empresas que mantém contrato com o poder público, o que na sua opinião é um equívoco Na sua opinião tal prática deveria ser considerada ilícita.

8 Comentários on “Correio do Povo: Ex-secretários de Fortunati têm maiores doações de construtoras e imobiliárias”

  1. #1 Wilson Godoi
    on Oct 1st, 2012 at 2:54 pm

    A prática de “doação” de fundos para campanha eleitoral, por parte de empresas que mantém contrato com o poder público, pode até não ser ilícita mas, com certeza, é IMORAL!!!

  2. #2 Néia
    on Oct 1st, 2012 at 6:18 pm

    Paulinho, embora eu seja colorada, tenho que dizer que tu estás sendo injusto com o teu Grêmio citando-o sozinho. O Fortunati tratou de equilibrar as benesses ao Inter, não te enganes! Vou te remeter por e-mail minha análise e, quem sabe, tu não fazes outro post de desagravo ao Greminho.
    O certo é que, desse jeito, será vitoriosa a campanha que o titular do governo Fo-fo faz para mudar seu apelido carinhoso para Tu-tu. Parece que Porto Alegre vai mesmo de Tu-tu.

  3. #3 zé saci
    on Oct 1st, 2012 at 7:30 pm

    é só coincidência, ):o))

  4. #4 Carlos Coelho
    on Oct 2nd, 2012 at 10:47 am

    Muito bom e esclarecedor o comentário. Mas quem vive há bastante tempo em Porto Alegre já deve ter notado que esta combinação “secretarias municipais estratégicas — campanhas eleitorais caras na eleição seguinte” é um verdadeiro clássico portoalegrense … (e, evidentemente, também Brasil afora), e não privilégio de nenhum partido … Além disso, todo mundo sabe que são as grandes empreiteiras que estão financiando as principais candidaturas em todas as capitais ou cidades grandes do Brasil nesta eleição. É claro que é absolutamente lamentável essa prática, mas acho que não devemos cair no discurso da nossa direita “piguiana” (só o “lado de lá” é anti-ético). O financiamento de campanhas no Brasil é uma imundície, mas acho que o mais produtivo não é apontar o dedo pra este ou aquele candidato, e sim defender uma mudança radical do sistema de financiamento (ou seja, financiamento público com controle rigoroso dos gastos).

  5. #5 funcionário
    on Oct 2nd, 2012 at 4:16 pm

    Márcio Bins Ely, Cássio Trogildo e Valter Nalgestein que trio da pesada. Digo da construção pesada.
    No caso do Trogildo é pior, pois ele distorceu os fatos, talvez caiba alguma denúncia ao MPE.
    Ele andou falando em mídia que a grana veio da venda de um terreno da família, por cerca de R$ 20 milhões. Que empenho na eleição, seu Trogildo, torrando patrimônio…(rs)
    De resto empreiteira não doa, investe. Tudo dentro da mais safada lógica capitalista. É legal como disse um outro leitor, mas imoral. Só os eleitores deste plantel do seu Fortunati não enxergam…

  6. #6 paulo muzell
    on Oct 3rd, 2012 at 8:18 am

    Néia: tens toda razão. Apenas citei o Grêmio como um dos muitos casos “exemplares”. Lendo a análise que me mandastes conclui que as “bondades” que beneficiaram o Inter (Beira Rio) foram ainda mais escandalosas. Será tema de um próximo texto.

  7. #7 paulo muzell
    on Oct 3rd, 2012 at 8:26 am

    Carlos Coelho: lúcido e oportuno o teu comentário. É isso aí mesmo: sem uma mudança radical nas regras do jogo eleitoral eleitoral muito pouco poderá ser feito. O próprio MP estadual diz que a lei permite que a empresa que presta serviço ou realiza obra para o poder público pode doar para a campanha do contratante (Prefeito ou Secretário), o que é uma flagrante imoralidade. Enquanto isso a gente vai fazendo o que pode, denunciando os episódios mais explícitos.

  8. #8 funcionário
    on Oct 3rd, 2012 at 11:05 am

    Desde ontem, circula pela mídia uma situação de tráfico de influência eleitoral. Refere-se á Cássio Trogildo e também à Fortunati, num favorecimento a comunidades da área do Rubem Berta, com asfaltamento de ruas e becos, usando a estrutura de SMOV, para pressionar a comunidade dentro do OP.
    Tudo gravado e distribuido para vereadores da capital e que ensejou a entrega deste material ao Tribunal Eleitoral.
    Vamos aguardar os desdobramentos.

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