“O pensamento racional claramente aconselhava os troianos a suspeitarem de um ardil quando acordaram verificando que todo o exército grego desaparecera, deixando apenas estranho e monstruoso prodígio à frente das muralhas da cidade. O procedimento racional deveria ter sido, ao menos, examinar o cavalo em busca de inimigos, tal como foram veementemente aconselhados por Cápis o Velho, Laocoonte e Cassandra. Essa alternativa esteve presente e bem viável, mas foi posta de lado em favor da autodestruição.” (Barbara Tuchman, em “A marcha da insensatez”)
Barbara Tuchman, em seu memorável livro “A marcha da insensatez”, desvenda a tendência paradoxal que possuem autoridades, políticos e instituições de produzirem políticas contraproducentes que, ao fim, contrariam seus próprios interesses.
Como parte do exaustivo apanhado histórico que realiza, a autora estadunidense examina desde a Guerra de Tróia, passando pelos papados da Igreja Católica na Idade Média, até os anos 1970, em que analisa as armadilhas que os EUA produziram contra si mesmo com a estratégia de guerrar no Vietnã.
Em suas brilhantes análises, a autora demonstra como decisões desatinadas e carentes de racionalidade em algumas realidades produziram destruição e tragédias. Diz ela, com uma crítica lancinante: “sendo óbvio que a perseguição de desvantagem após desvantagem é algo irracional, concluímos, em conseqüência, que o repúdio da razão é a primeira característica da insensatez. As sucessivas medidas adotadas com respeito tanto às colônias americanas como quanto ao Vietnã eram tão nitidamente baseadas em atitudes preconceituosas e tão perfeitamente contrárias ao senso comum, às inferências racionais e aos conselhos judiciosos, que, como insensatez, falam por si mesmas”.
As escolhas do PT para as eleições municipais de Porto Alegre merecem ser vistas sob o prisma de uma verdadeira “marcha da insensatez”. O PT em Porto Alegre não sofreu uma derrota qualquer; foi uma derrota inclemente. E não foi uma derrota de um PT qualquer, mas a derrota de um PT que acumulou a experiência de governar a cidade por 16 anos e que construiu importantes referências para o país e para o mundo de resistências e de construção de alternativas democráticas ao neoliberalismo.
O desempenho em Porto Alegre não guarda absolutamente qualquer coerência com o padrão de desempenho do Partido no Rio Grande do Sul e no Brasil. Tanto no estado como no país, foi a sigla mais votada, a que mais ampliou o número de prefeituras conquistadas e a que teve o maior incremento do número de vereadores eleitos.
Desde sua fundação, em 1980, o PT participou com candidatura própria de todas as eleições municipais em Porto Alegre [1]. Em 2012, o PT alcançou o pior desempenho em toda essa história eleitoral na cidade. Até mesmo pior que da primeira vez que disputou o pleito, em 1985 – há 27 anos, nos primórdios da construção partidária. O candidato do PT no recente pleito fez apenas 9,64%, o que significam 103.039 votos a menos que na eleição anterior e 194.442 votos a menos que o desempenho histórico médio do PT. [Tabela I]


O PT também teve o pior desempenho para a Câmara de Vereadores de PoA, elegendo a menor bancada desde 1988 [2], reduzindo-a de 7 para 5 vereadores. E igualmente viu diminuir 27.418 votos da legenda e 17.338 votos nominais de candidatos a vereador em comparação com a eleição passada. [Tabela II]
Das oito eleições a prefeito municipal em Porto Alegre nos últimos 24 anos [3], é a primeira vez que o PT fica excluído do segundo turno, e a única vez em que o candidato a prefeito do PT faz menos votos que os do Partido para a Câmara de Vereadores. É uma evidência de que menos eleitores dos vereadores votaram no candidato a prefeito. Por isso, não seria razoável validar a visão de que “ ‘quando se ganha, é mérito do Indivíduo; e quando se perde, a responsabilidade é do Partido’ ”.
Em 2012, das 133 cidades do Brasil com mais de 200 mil habitantes, o PT disputou eleições com candidatos próprios em 87 delas. Nessas 87 localidades, apenas 8 candidaturas tiveram desempenho inferior a 10%, e a de PoA foi uma delas. Com o percentual de 9,64, somente conseguiu ficar à frente das candidaturas do PT em Campina Grande, PB [1,17%], Vila Velha, ES [2,33%], Barueri, SP [2,36%], Imperatriz, MA [2,83%], Campo Grande, MS [4,87%], Ananindeua, PA [5,24%] e Guarujá, SP [5,35%]. [ver tabela ao final deste artigo]
Com tais resultados, o PT de Porto Alegre foi o principal desvio do padrão nacional e estadual, mesmo no contexto de um ambiente eleitoral submetido a influências relativamente idênticas em todo o país. Não há um só fenômeno local que pudesse ser relacionado com esta situação. A conjuntura eleitoral foi influenciada por uma pluralidade de fatores, tanto intrínsecos quanto exteriores à candidatura do PT. Com pesos e ênfases diferenciados, acabaram por determinar o resultado final.
A exploração teledramatúrgica do chamado “mensalão”, por exemplo, ocorreu de norte a sul do Brasil, de modo que as consequências eleitorais dessa questão, assim como de outras questões espinhosas para o PT, teriam sido relativamente similares em todo o país. Até se poderia presumir que em São Paulo o efeito possa ter sido mais drástico, mas, mesmo assim, a candidatura do PT, que iniciou o processo eleitoral com menos de 3%, disputará o segundo turno com reais condições de vitória.
Por outro lado, não existem indicadores de que o PT em PoA tenha deixado de ser preferido por uma considerável parcela da população [entre 22% e 25% do eleitorado]. Isso significa que 1 a cada 4 eleitores preferem o PT, mas somente 1 entre 10 eleitores votaram no candidato do Partido. Isso significa que o candidato do PT foi rejeitado.
O que sim se constata como fenômeno importante no campo da esquerda é o crescimento do PSOL [4]. Apesar da prática sectária e do “lacerdismo moralista”, parece se beneficiar da convergência da política ao centro, atraindo eleitores petistas [e de outras siglas] com discursos e propostas de esquerda. Esse parece ser um fenômeno nacional, que é replicado no RS.
Neste cenário, cabe perguntar: que outros fatores explicam a retumbante derrota do PT em Porto Alegre? Seria improdutivo e arrogante menosprezar, neste sentido, os erros cometidos pelo próprio PT no município.
A inclemente derrota do PT em PoA é o ponto culminante de uma trajetória descendente que se iniciou em 2000, quando houve uma primeira fratura interna. Nas eleições de 2008 e 2012 o PT sofreu uma erosão eleitoral na cidade. Assim como nas eleições de 2008, em 2012 o desempenho partidário ficou muito abaixo da média histórica do período 1985/2008 em todos os quesitos.
De outra parte, a derrota deste ano condensa vários elementos da crise em que se encontra o PT de PoA. É uma crise que vem de longa data, determinada pela diminuição da capacidade dirigente e militante; pela perda de inserção nos movimentos sociais e comunitários e, não menos importante, pela debilidade organizativa e de direção. Se assiste à perda de organicidade e o comprometimento da capacidade de intervenção e de iniciativa na realidade política e no debate público na cidade.
Também contribui para a diminuição da influência partidária o crescimento da hegemonia dos partidos tradicionais, que se mimetizaram programaticamente. Com oportunismo, distorcem a realidade e proclamam a continuidade das políticas gestadas pelo PT. Aplicam o conhecido truque eleitoral de “manter o que é bom e mudar o que está mal”.
Todos estes fatores pesaram na determinação da derrota, é verdade. Adicionalmente, entretanto, deve-se reconhecer que a lógica partidária de instrumentalização da política com o “repúdio da razão” está na raiz desta crise. Recordemos Barbara Tuchman: “Nas operações governamentais, a impotência da razão é algo muito grave, porque afeta tudo aquilo que se encontra ao alcance — cidadãos, sociedade, civilização. Era problema que preocupava profundamente aos gregos, iniciadores do pensamento ocidental. Eurípedes, em suas últimas obras, concorda em que o mistério do erro moral e da insensatez não pode ser atribuído a causas externas, à peçonha de Ate — como se fosse uma aranha — ou a qualquer intervenção dos deuses. Homens e mulheres têm que aceitar esse ônus como parte da condição humana”.
O PT parece não ter aprendido com os fracassos de eleições anteriores, quando a luta interna por poder e por destruição dos adversários internos – em claro “repúdio da razão” – foi desenvolvida cegamente, acima da realidade e desprezando a perspectiva estratégica. As experiências das prévias partidárias para a escolha de candidaturas sempre foram traumáticas, porque baseadas na confrontação pura e simples entre campos internos, em alianças artificiais, em meras disputas por poder.
O processo para a definição da candidatura do PT em 2012 repetiu os equívocos do passado. Baseou-se no critério de maiorias artificiais, com maquinações e arranjos feitos da noite para o dia e sem bases programáticas. Este método não leva em conta que a sociedade, especialmente os setores simpáticos ao PT, presta muita atenção nas escolhas que o Partido faz. E que, com sabedoria, apresenta a fatura amarga ante escolhas equivocadas.
No “reino das maiorias” não entra a razão e a análise diligente da realidade. Prevalece o hegemonismo apoiado no cálculo para o controle da máquina partidária ou governamental, quando conquistada. Repetindo novamente Barbara Tuchman: “Voltamos a Burke: ‘Não é raro que a magnanimidade em política se torna a verdadeira sabedoria; um grande império e mentalidades tacanhas não se combinam bem’. O problema está em se reconhecer quando a persistência no erro se torna autodestruidora”.
As escolhas em Porto Alegre, que finalmente se demonstraram equivocadas, apresentaram um Partido confuso, sem política, sem programa, sem força de convocação militante e social. A lógica das correntes e a visão particularista prevaleceram sobre o conjunto partidário. O quadro eleitoral evidenciava que seria uma eleição difícil e, portanto, que exigiria da candidatura do PT muito conhecimento público, densidade eleitoral e uma capacidade de explicar com facilidade de compreensão algo que era complexo: a confrontação de três candidaturas do campo democrático-popular.
Nesta condição, como singularizar a candidatura do PT, como apresentar as diferenças e disputar a consciência do povo? Ao contrário da diferenciação, ficou evidenciada a pasteurização. Com a “semelhança” dos campos pró-Dilma e pró-Tarso, não se soube explorar eficientemente a vinculação preferencial do PT com os governos estadual e nacional. Esse fenômeno explica porque os votos da Manuela migraram para o Fortunati [e não para o Villa], mas não foram para a oposição conservadora aos governos Tarso e Dilma.
Não seria correto atribuir o fracasso à tática eleitoral. A decisão sobre a candidatura própria foi unânime no PT; todas as correntes e lideranças partidárias defenderam esta posição. Candidatura própria não significa, em si mesmo, garantia de vitória. Em toda a história do PT de PoA, o Partido sempre se apresentou com candidatura própria. E neste período o Partido sofreu várias derrotas – todas elas, todavia, eleitorais. A derrota de 2012, contudo, foi uma hecatombe política, uma derrota política humilhante.
A pregação de que o PT deveria ter abdicado da candidatura própria para ser vice de um dos dois candidatos não tem consistência. Por um lado, porque a candidatura do prefeito eleito articulou o campo conservador e dos setores anti-petistas, inviabilizando uma aliança com o PT. A candidatura do PCdoB, por outro lado, comprovou que não “havia chegado a hora” da novidade sustentada em forte marketing eleitoral.
A aplicação da tática eleitoral – ou seja, a candidatura, a estratégia e a política definidas pela maioria partidária – além de se basear em métodos esgotados, revelou-se inadequada às necessidades de um duro enfrentamento eleitoral. A eleição comprovou que se o PT tivesse uma candidatura mais conhecida e identificada com o legado dos governos do Partido na cidade, os resultados teriam sido totalmente diferentes.
Seria muita ingenuidade crer que qualquer que fosse a candidatura do PT o resultado seria o mesmo. Em 2002, por exemplo, para a definição do candidato o PT que disputaria a Presidência da República, o Partido foi constrangido a realizar uma incompreensível prévia entre Suplicy e Lula. Alguém duvida que, se o candidato não fosse Lula, o resultado teria sido outro?
Diante dessa derrota inclemente, o PT não pode, outra vez, encontrar um refúgio confortável no silêncio e na negação do fracasso. Novamente vale se socorrer de Tuchman: “A paralisação mental ou estagnação — manutenção intacta pelos governantes e estrategistas políticos das idéias com que começaram — é terreno fértil para a insensatez. Montezuma se constitui em exemplo fatal e trágico”.
Ou o PT aprende com os erros, ou as derrotas continuarão sendo o destino e a fonte da autodestruição. Como também adverte Barbara, “a política fundada em erros multiplica-se, jamais regride”.
O PT em PoA enfrenta uma realidade crítica. Não menos complexa que outros momentos da história de construção partidária. Com a grandeza das suas conquistas, com sua rica história, com sua honrosa tradição e com a dedicação de seus militantes, saberá superar esta situação. O PT é muito maior que os erros, por mais comprometedores que possam ser.
NOTAS
[1] Durante a ditadura militar, ficou proibido até o ano de 1985 a realização de eleições nas capitais, áreas de bases militares, de barragens de usinas elétricas e regiões de fronteira, consideradas áreas de segurança nacional presumivelmente passíveis de “ataques terroristas”. Os prefeitos municipais dessas cidades eram então indicados pelos militares normalmente dentre políticos da ARENA – cuja sigla sucedânea, depois de várias mudanças, é o atual PP. Em 1985 foi realizada a primeira eleição direta em Porto Alegre depois da ditadura.
[2] A primeira participação do PT em eleições para a Câmara de Vereadores foi em 1982, dois anos após sua fundação. Naquele ano, pelas razões assinaladas na nota anterior, somente se realizavam eleições proporcionais nas áreas de segurança nacional. Em 1982, o PT elegeu um vereador para a Câmara de PoA.
[3] Além de 1985, foram realizadas eleições para prefeito municipal de PoA em 1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008 e 2012. A partir de 1996, as eleições nas capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores passaram a ter dois turnos eleitorais nos casos em que o candidato vencedor não atinja 50% + 1 dos votos válidos.
[4] O PSOL manteve os dois vereadores eleitos em 2008 e teve o vereador mais votado desta eleição.





on Oct 13th, 2012 at 11:34 am
Esta pedra todo mundo cantou quando Tarso não conseguiu fazer a velharia histórica petista que era hora do partido se coligar com o PCdoB e indicar o vice da Manuela. Foi a derrota mais instrutiva do jovem século em que estamos. Nada como levar no lombo para aprender. Em 2016 teremos Manuela na cabeça e o Olívio de vice. O Villa será um ótimo secretário do município.
on Oct 13th, 2012 at 8:10 pm
Miola enrolou o que pode para, no final apontar o principal motivo: a fragilidade política da candidatura Villaverde (Cel. Bonete de vice?!). Com Raul, o resultado, no mínimo não seria vexatório e, imagino, o segundo turno seria certo. Essa derrota foi mais grave do que o episódio de Recife. “Manuela na cabeça e Olívio de vice”, aí já é demais camarada. menos, né?
on Oct 14th, 2012 at 9:02 am
Remindo: Olívio de vice da Manuela? Só pode ser brincadeira (de mau gosto!!) ou provocação barata!!
on Oct 14th, 2012 at 9:25 am
A companheirada é célere em apontar o dedo. As causas nunca são uma só. A primeira que comentaria neste curto espaço são os que apontam o(s) candidato(s) como culpado. A candidatura é fruto e não origem de nossas escolhas. Cada um e cada uma não conseguiu. A derrota, portanto, é nossa. Nós não conseguimos apresentar nosso projeto, no qual colocamos os dois como nossos representantes, de uma forma que os eleitores nos apoiassem. Como é fácil botar a culpa nos eleitores e no Villa que se prestou a apresentar nossa proposta. Fiquei com vergonha pelo Remindo e pelo Ary! Não importa o candidato, se ele venceu nossas instâncias. É nosso. E pelo visto estes dois ficaram se lamuriando ao invés de abraçar a candidatura! Se atirar de corpo e alma. Isto, na minha modesta miopia, foi a principal causa de nossa derrota, e espero que, independente do candidato nosso, na próxima vez isto seja questão vencida!
on Oct 14th, 2012 at 4:19 pm
É incrivel e sintomático como uma análise neste grau de profundidade, guardada a introdução exageradamente longa e desnecessária, além de não encontrar eco nas hostes, que sequer se manifestam, não é nem compreendida pelo lumpén-proletariat que se arroga a comentar. Me parece que o mais dificil a superar é a negação da realidade. Há uma ruptura sim. Ela vem de 2002 e é provocada pela direita do PT, internamente, através da candidatura personalista de Tarso. Por outro lado, em nome de uma auto-preservação pragmática, a esquerda do partido se distancia da sociedade civil organizada, mantendo-se somente onde ainda é possível a lógica simplista do aparelhamento.Os limites do formato-partido só poderiam se dar pela existencia do PT. O problema agora é fazer o que, enquanto a geléia toma conta do centro prográmatico.
on Oct 14th, 2012 at 8:19 pm
A mudança obrigatoriamente deve ser mais profunda. Insinuar que a candidatura Villa tem uma parcela maior de contribuição é negar os próprios dados. Todos pontos estão na curva. A majoritária fez os votos que o PT projetou em sua curva. O PT não muda, a curva não muda e o Villa representou a vontade de um partido que está com dificuldade em sentar no divã. Fazer um mea culpa. Será que a curva menos decadente das proporcionais é uma dica? Será que a renovação na bancada é uma pista? Será que os votos que ficaram com a Manuela, com o PSOL, PSTU são indícios fortes? Quem sabe nossas lideranças movam esforços para oxigenar o partido? Estamos virando um partido de caciques? Bem diferente das outras duas candidaturas o Villa representou um projeto. O Fortunati e a Manuela estavam em um projeto pessoal de poder.
on Oct 14th, 2012 at 8:43 pm
nenhuma linha sobre o governo Tarso?
Esse pessoal que escreve aqui no RS tá fora do mundo!
on Oct 15th, 2012 at 9:31 am
Concordo em linhas gerais. O PT precisa pensar principalmente o afastamento em relação aos movimentos sociais, à sociedade civil organizada etc. Os caras ou estão alimentando posturas estamentais na máquina pública ou então, quando são escorraçados pelas urnas, vão prestar assessoria para o capital financeiro. Seria bom alguém fazer uma pesquisa para ver o que fazem os petistas. No que trabalham, qual a trajetória deles ao longo dos anos etc. Tenho a impressão que seria algo assim: militância, CC, assessoria para o capital.
on Oct 15th, 2012 at 1:37 pm
-Os número mostram que desde 1996 o PT vem perdendo eleitores em POA. Aquele PT de outrora, da paixão coletiva em que militantes apareciam “do nada” e se conectavam nas campanhas eleitorais dando visibilidade a essas, tornando-as vitoriosas saiu de cena. Não só o PT de POA, mas em todo o país, seguiu um novo caminhao, aliás esse já trilhado pelo velho MDB. De um partido de esquerda só restou a raiva reacionário quando se diz que o PT não é mais de esquerda.E é fácil provar.É só ver as alianças, a formatura da base parlamentar de Dilma, os retrocessos legislativos nas legislações ambientais, os 48% do orçamento da União sendo destinado a Bancos privados para rolagem da dívida mobiliária interna e tantas outras situações que mostram a plena degeneração de um partido que já acalentou o sonho de milhões em fazer uma drástica mudança econômica e social nesse país.
on Oct 15th, 2012 at 2:36 pm
Minha opinião de eleitor e simpatizante do PT é que, pela segunda vez, numa eleição para a Prefeitura, o PT emaranhou-se em prévias que deliberaram pelo candidato mais desconhecido e com discutível potencial eleitoral. Com Maria do Rosário ocorreram filiações de última hora, agora com Villaverde, por estar mais afastado, não sei por que Raul Pont perdeu na convenção. Tinha, sinceramente, mais potencial eleitoral.
Quanto à inclinação a ser vice da candidata Manuela, creio ser uma tese que as urnas deram a resposta. Manuela e seu discurso remaquiado não se sustenta mais. Alguém se dizer de esquerda e ter de vice um candidato recentemente identificado com a velha política e o apoio ontensivo de uma cria da RBS, porta-voz dos latifundiários e do agronegócio, é querer demais da cabeça do eleitor. Ele quando percebeu isso, migrou para Fortunati, pois infelizmente o anti-petismo é grande aqui em POA.
Creio que o PT foi muito passivo no levantamento das questões que o cidadão esperava de uma proposta de oposição. Temas não faltavam: o péssimo transporte coletivo, a neurótica mobilidade urbana, os escândalos da Sollus, do caso Ronaldinho, a imperícia de técnicos da PMPA, no caso da morte de operários na construção de um prédio do PISA e das paradas que dão choque, da entrega do patrimônio público aos entes privados, das licitações suspeitas no DMLU e SMOV e por aí vai
Vilaverde passou o tempo inteiro se apresentando e mostrando seus apoios. Foi muito pouco.
O pior é eu como funcionário ter de aguentar mais quatro anos esta mesma turma…
on Oct 15th, 2012 at 10:05 pm
Jefe, infelizmente, você está com alguma razão. Não há mais militantes e sim quadros, dirigentes, executivos…
on Oct 15th, 2012 at 10:27 pm
O resultado da candidatura “laranja” do Villaverde nada mais foi do que um efeito de um processo em curso já há algum tempo.
http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2011/07/o-pt-gaucho-empacotarsou.html
on Oct 16th, 2012 at 9:12 am
Companheiro funcionário, como pode ser verificado, há nos gráficos a participação do Raul em ocasiões anteriores e a curva foi a mesma. As interpretações são várias, mas seja o que for que esteja acontecendo, o candidato Villa nos representou bem, pois foi mais um ponto NA curva. O Fortunati veio com 250 candidatos a vereador, vamos ver como vai ser a gestão!
on Oct 16th, 2012 at 11:42 am
Sugiro a troca do título do artigo para “O Ocaso de um Partido”
Abraço
on Oct 16th, 2012 at 11:50 am
Fui sempre um militante de rua, minha bandeira e uns panfletos na mão, e ia pra esquina da Azenha, da João Pessoa, tentar convencer os transeuntes da necessidade e possibilidade de mudança que o PT representava. Isso mudou. Não tenho nenhuma razão pra acreditar que o PT atual, abraçado ao PMDB, PP, desideologizado, compondo com PTB, etc… mantenha a proposta da década de 80 e 90. Não coloco minha cara a tapa por esse PT de hoje.
on Oct 16th, 2012 at 2:32 pm
A sociologia americana gosta muito de demonstrar suas convicções utilizando-se de gráficos e planilhas.
Coisas como moda, desvio padrão, variância para mim dizem mais ao campo da estatística.
Em minha visão pessoal, os dois últimos candidatos do PT, identificados com grupos que se situam dentro do espectro moderado do partido, não conseguiram empolgar a militância e, consequentemente, a população que tem um ranço antipetista muito forte.
Claro que Fortunati deve ter usado a máquina administrativa, o apoio eleitoral dos vereadores de sua coligação, mas a reflexão que nos cabe é a seguinte. Por que o PT não consegue mobilizar mais as pessoas comuns?
Seriam reflexos do Mensalão alardeados pelo PIG? Seria o desgaste das alianças para o governo do Estado e a Presidência?Seria a votação de mais 5 anos de trabalho para os trabalhadores? Seriam as mudanças desastrosas do Código Florestal? Ou seria um niilismo geral da população?
Cabe ao Partido, uma reflexão.
on Oct 16th, 2012 at 4:41 pm
PIG, mensalão, coligações, moderados x “polarizadores” (já com medo de ser repetitivo o Raul obteve resultado na mesma curva) funcionaram em outras esferas e aqui em Porto Alegre não.
Como inflexionar o caso do PT em PoA?
on Oct 16th, 2012 at 6:33 pm
Nao pude deixar de colocar minha opiniao.tem quel se acha profundo entendido em politica e acha uma chapa Manuela “Facemos qualquier negocio” e Olivio de vice! Sinceramente.Mais respeito ao Galo missioneiro. E esta Manuela, deu pra ti…..continue “e aí beleza?” sendo deputada, é o seu teto…enqunato durar….
on Oct 22nd, 2012 at 11:10 am
Ser eleito ou não ser eleito, eis a questão.
Recordo-me de no inicio, lá ainda no PTLV, do Fernando, do Martinez, da Isabel e tantos outros que saindo das esquinas se encontraram nos caminhos da organização partidária, faziam o seguinte debate: “A chegada e a possivel tomada das instituições, levará o PT a que caminho?”. Pois esta ai, a tomada e ocupação das instituições nos transformou. Transformou em cópias, clones, daqueles a quem tinhamos como nossos algozes opositores, os direitosos, os puxa-sacos, os lúmpens direitosos, como citou um dos que me antecederam a este comentário. A conclusão é triste, o tempo não volta, a ascenssão petista em Porto Alegre ficará para a história, e também para as estórias que hoje conto aos meus netos, e como disse o Caio, “quem vai dar a cara a tapa pelo PT de hoje. . . “
on Oct 23rd, 2012 at 12:29 pm
O PT se aproxima dos movimentos sociais e sindicatos quando é oposição. Ai se utiliza deles para atacar os dirigentes ditos da direita. Nesta eleição não tinha um inimigo afinal todos os concorrentes eram da base aliada ou de esquerda dai o distanciamento falado.