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A grande vitória política que está ao alcance do PT

O PT tem uma grande vitória política ao seu alcance no segundo turno das eleições municipais que ocorre neste domingo. E essa vitória não se resume à possibilidade de uma vitória de Fernando Haddad na maior cidade do país. No ano em que o conservadorismo e seus braços midiáticos sonhavam com a derrocada do partido, em meio ao julgamento do mensalão, o julgamento do voto popular subjugou o processo que pretendia colocá-lo de joelhos. O PT não só está fazendo a maior votação do país, como renovou seus quadros e está abrindo uma nova possibilidade de futuro para políticas que enfrentam grande resistência.

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem uma grande vitória política ao seu alcance no segundo turno das eleições municipais que ocorre neste domingo (28). E essa vitória não se resume à possibilidade de uma consagradora vitória de Fernando Haddad em São Paulo. A sua dimensão maior é de natureza política. E não é nada pequena.

Há cerca de quatro meses, lideranças da oposição ao governo federal (se é que ela tem hoje nomes que mereçam esse título) e a maioria dos colunistas políticos dos jornalões e grandes redes de comunicação apostavam que o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) destroçaria o PT nas eleições municipais. Numa curiosa coincidência, o processo no Supremo adequou-se ao calendário eleitoral, especialmente no primeiro turno. A pressão era intensa e permanente para que o julgamento fosse concluído dentro do calendário eleitoral.

A frustração dessa expectativa foi total. O PT foi o partido mais votado no país, venceu 626 prefeituras (12% a mais do que em 2008), somando mais de 17 milhões de votos. Além disso, aumentou em 24% o número de vereadores e vereadoras, que chegou a 5.164. E levou 22 candidatos para disputar o segundo turno. Mas esse êxito não se resume aos números. O saldo político é muito mais significativo. Essas foram as eleições realizadas sob o contexto do “maior julgamento da história do Brasil”, como repetiram em uníssono colunistas políticos e lideranças da oposição. Ironicamente, o julgamento das urnas talvez seja, de fato, um dos mais impactantes da história do país, fortalecendo o projeto do partido que comanda a coalizão que governa o país há cerca de dez anos e impondo uma derrota categórica ao principal projeto político adversário representado até aqui pelo PSDB, seu fiel escudeiro DEM e pequeno elenco.

E essa derrota, é importante destacar, tem um caráter programático. É a derrota de uma agenda para o Brasil e a vitória do programa que vem sendo implementado na última década com ampla aprovação popular. Não é casual, portanto, que a oposição já comece a flertar com integrantes da própria base de apoio do governo federal numa tentativa de cooptar novos aliados para seu projeto que faz água por todos os lados.

Esse conjunto de fatores indica que o principal vitorioso nessa eleição não é nenhuma liderança individual, mas sim um partido que conseguiu sobreviver a um terremoto político, reelegeu seu projeto em nível nacional duas vezes e agora, como se não bastasse tudo isso, renova suas lideranças com quadros dirigentes que aliam capacidade intelectual com qualidade política.

Independente do resultado das urnas neste domingo, nomes como Fernando Haddad, Márcio Pochmann e Elmano de Freitas já representam a cara de um novo PT, fortalecido pela tempestade pela qual passou, pelas experiências de governo e, principalmente, pela possibilidade de futuro.

Essa possibilidade de futuro é representada por um conjunto de políticas que enfrentam grande resistência por parte do conservadorismo brasileiro: Reforma Política, nova regulamentação para o setor de comunicação, colocar a agenda ambiental no centro do debate sobre o padrão de desenvolvimento que queremos, fazer avançar a reforma agrária, fazer a educação pública brasileira dar um salto de qualidade, recuperar a ideia do Orçamento Participativo para aprofundar a democracia e abrir mais o Estado à participação cidadã, acelerar a integração política, econômica e cultural sulamericana, entre outras questões.

A “raça” petista não só não foi destruída, como sonhavam algumas vetustas lideranças oposicionistas que despontaram para o anonimato, como sai agora fortalecida no final do ano que era apontado como o do “fim do mundo”.

Mas as vitórias quantitativas do PT dependem de algumas condições para se confirmarem como vitórias políticas qualitativas. Uma delas diz respeito à vida orgânica cotidiana do partido que deve ser um espaço de pensamento e organização social, com a participação regular dos melhores quadros pensantes do país.

Uma das razões dos sucessos eleitorais do PT, que a oposição político-midiática teima em não reconhecer (para seu azar) é o profundo enraizamento social que o partido atingiu no país; a famosa capilaridade que faz com que o PT seja a principal referência partidária brasileira. Esse é um capital político acumulado extraordinário que pode ser multiplicado se não for usado apenas como espaço eleitoral, mas, fundamentalmente, como um espaço de defesa da democracia e do interesse público, de discussão do Brasil e da construção de uma sociedade que supere o paradigma mercantilista que empobrece as relações humanas, destrói a natureza e privatiza a vida e o saber.

A militância petista tem todos os motivos do mundo para estar orgulhosa e esperançosa neste final de ano. Afinal de contas, o julgamento do voto popular subjugou o processo que pretendia colocar o partido e sua principal liderança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de joelhos. Não conseguiram.

Este é, obviamente, um texto otimista que não está considerando os inúmeros problemas – organizativos e programáticos – que precisam ser enfrentados no PT, assim como nos demais partidos da esquerda brasileira. Mas esse otimismo, mais do que justificável, é a expressão da voz do povo brasileiro que sai das urnas mais uma vez. A nossa democracia tem muito o que avançar, os problemas sociais ainda são grandes, mas o aprendizado político desses últimos anos abre uma extraordinária possibilidade de futuro. Que o PT e seus aliados tenham a sabedoria de ouvir a voz que sai das urnas. É uma voz de apoio, de sustentação, mas é também uma voz que quer avançar mais, participar mais e viver uma vida com mais orgulho e ousadia.

(*) Artigo publicado originalmente na Carta Maior.

6 Comentários on “A grande vitória política que está ao alcance do PT”

  1. #1 marinildac
    on Oct 28th, 2012 at 12:04 am

    Explosão de emoções enquanto leio, lágrimas e, acima de tudo, esperança, como bem frisou o autor. Parabéns.

  2. #2 Eduardo Barros Leal
    on Oct 28th, 2012 at 9:33 am

    A queda de braço entre LULA, o PIG e todo o STF, mostra com a vitória petista, que LULA continua o CARA.

  3. #3 Renato Kern
    on Oct 28th, 2012 at 12:15 pm

    Só uma pequena correção, é EXATAMENTE por reconhecer o profundo enraizamento social que o PT atingiu no país, que oposição político-midiática e golpista teima em atacar o Partido dos Trabalhadores.

  4. #4 Messias Franca de Macedo
    on Oct 28th, 2012 at 3:23 pm

    SERÁ QUE O MENSALÃO TEVE EFEITO CONTRÁRIO?

    Já se sabe que o julgamento da Ação Penal 470 não ajudou os candidatos da oposição. Prevalece, portanto, a teoria de que foi neutro. Mas não terá sido benéfico para a principal candidatura do próprio PT, a de Fernando Haddad, em São Paulo? Diante de tantos ataques, no STF e nos meios de comunicação, o eleitor pode ter intuído que algo de anormal acontecia no País, com um julgamento que corria em paralelo com uma eleição
    27 DE OUTUBRO DE 2012 ÀS 21:41
    (…)
    SEGUE o discurso de Marco Aurélio Mello, em que ele citou a quadrilha do “sintomático 13” – já há quem diga, no PT, que o ministro mereça até agradecimentos pela propaganda da legenda!
    Em http://www.brasil247.com/pt/247/poder/84065/Ser%C3%A1-que-o-mensal%C3%A3o-teve-efeito-contr%C3%A1rio.htm

    Que país é este, sô?! República de ‘Nois’ Bananas

    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

  5. #5 miguel grazziotin
    on Oct 28th, 2012 at 3:37 pm

    Porém, aqui no Sul, oPT se apequena a passos largos, pelo “democratismo”, pelas correntes que só objetivam eleger o “seus” e manter-se nos cargos que os sustentam, deixando o PT em segundo palno. A falta de modestia, a soberba, fez com que o PT gaucho tenha perdido de forma vexatoria em Porto Alegre e Caxias do Sul, com votaçoes muito aquem de sua historia. E se este mesmo PT nao depurar as mesmas faces que comandam o partido no Sul, logo logo estaremos brigando para ter alguma representaçao apenas legislativa. Que Tarso coloque as barbas de molho. Sua reeleiçao está cada dia mais dificil e menos provavel.

  6. #6 zé bronquinha
    on Oct 28th, 2012 at 8:54 pm

    - O Pt que sai das urnas é um partido que ganha em SP com um discurso meramente administrativista que pouco difere daqueles do PSDB ou PMDB.O crescimento do PT em nº de prefeituras tem a ver com a interiorização de um PT já conservador, que só vive as agendas eleitorais tentando convencer, e já conseguiu, até ex-trotskistas de que é possível tornar o capitalismo “do bem”. Claro que o PIG ataca o PT pela direita, mas o que é surpreendente que gente com muita leitura acadêmica não consegue construir um senso crítico natural para quem faz política.Ao contrário. Identifica na oposição, mesmo que de esquerda, movimentos contrariados com possíveis grandes feitos de governos como de LUla e Dilma, que se entendem muito bem com o grande capital.

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